O Dia do Saci-Pererê
Você sabia que o Dia do Saci-Pererê foi criado pelo governo do Brasil em 2005 com o objetivo de resgatar figuras do folclore brasileiro, em contraposição ao "Dia das Bruxas", ou “Halloween”, da cultura americana.

Apesar do Dia do Saci ainda não ser muito comemorado pelos brasileiros, em cidades como a Presidente Prudente, em São Paulo, o dia já virou tradição e os moradores e turistas se divertem.

Na cidade histórica de São Luiz do Paraitinga , no interior de São Paulo, o  Dia do Saci-Pererê toma as ruas da cidade e outros personagens nacionais como a Mula-sem-cabeça, o Boitatá e Cuca também aparecem através das manifestações artísticas populares.

Mas, você sabe quem é o Saci-Pererê?
O Dia do Saci-Pererê
O Saci-Pererê é uma lenda do folclore brasileiro que originou-se entre as tribos indígenas do sul do Brasil. Ele possui apenas uma perna, usa um gorro vermelho e sempre está com um cachimbo na boca.

Inicialmente, o Saci-Pererê era retratado como um curumim endiabrado, com duas pernas, cor morena, além de possuir um rabo típico. Com a influência da mitologia africana, o saci se transformou em um negrinho que perdeu a perna lutando capoeira, além disso, herdou o pito, uma espécie de cachimbo e ganhou da mitologia europeia, um gorrinho vermelho. A principal característica do Saci-Pererê é a travessura.

Muito brincalhão, ele se diverte com os animais e com as pessoas, muito moleque ele acaba causando transtornos como: fazer o feijão queimar, esconder objetos, jogar os dedais das costureiras em buracos e outras.

Segundo a lenda, o Saci-Pererê está nos redemoinhos de vento e pode ser capturado jogando uma peneira sobre eles. Após a captura, deve-se retirar o capuz da criatura para garantir sua obediência e prendê-lo em uma garrafa.

Diz também a lenda, que os Sacis nascem em brotos de bambus, onde vivem sete anos e após esse tempo, vivem mais setenta e sete para atentar a vida dos humanos e animais, depois morrem e viram um cogumelo venenoso ou uma orelha de pau.

Em algumas versões da lenda, o Saci-Pererê aparece com as mãos furadas.

De acordo com a lenda, a noite todos os sacis do mundo se encontram para planejarem as travessuras que irão fazer.

O Saci-Pererê é o mascote do time de futebol Sport Club Internacional de Porto Alegre.
O riquíssimo folclore do Brasil
O conceito de folclore se fundamenta no conjunto de crenças, lendas, festas, superstições, artes, costumes e tradições de um povo. 

De origem inglesa, o folclore é uma palavra originada pela junção das palavras folk, que significa povo; e lore, que significa sabedoria. 

O folclore do Brasil é riquíssimo, um dos mais ricos do mundo. Para sua formação, colaboraram principalmente, além do elemento nativo (o índio), o português e o africano. Estes três povos constituíram, podemos dizer, as raízes de nossa cultura.

Posteriormente, imigrantes de outros países, como Itália e Alemanha, deram sua contribuição ao nosso folclore, tornando-o mais complexo e mais rico.

A tendência dos costumes de povos diferentes é, quando estes se relacionam de modo íntimo, construir expressões híbridas, ou seja, suas culturas se misturam, resultando em novas expressões de manifestação popular.

Como os grupos humanos influenciam uns aos outros, podemos dizer que o folclore não é uma ciência estática, morta. Ao contrário, ele é dinâmico, pois além de pesquisar o passado, tem de estar atento às transformações do presente.
O riquíssimo folclore do Brasil
O Brasil, vasto qual um continente, apresenta regiões distintas, onde há diferença de intensidade das influências dos povos formadores. Por outro lado, cada região possui seu gênero de vida de acordo com o meio ambiente, o que influi, também, no folclore brasileiro.

A seguir, então, será narrada uma idéia geral dos vários desdobramentos do nosso folclore:
  • Linguagem Popular: gíria, apelidos ou alcunhas, legendas, linguagem especial ou cifrada, metáforas, frases feitas. Além da palavra há a mímica e os gestos. Assim, nós temos expressões utilizadas em todo o país (“tirar o pai da forca”, “está se virando”), compreendidos por todos, e expressões regionais, somente entendidas pelos habitantes da região (“gineteando” RS “Fute” dito na região NE).

  • Literatura Oral: poesia, história, fábulas, lendas, mitos, romances, parlendas, adivinhas, anedotas, provérbios, orações, pregões e literaturas de cordel, todos transmitidos oralmente;

  • Lúdicos: são os folguedos populares tradicionais, os jogos, os brinquedos e brincos. Exemplos: Bumba-meu-boi (NE), Caboclinhas (PB e RN), Cavalhadas (RS, AL, PR e SP), Ciranda (PE), Congada (SP, ES, BA, MG, GO, PR, RS), Cordões de Bicho (AM), Fandango, conhecido em todo o Brasil e, ainda Guerreiros, Mamulengo, Maracatu, Moçambique, Pastoril, Quilombo e Reisado.

  • Música: a música folclórica está presente em quase todas as manifestações populares. A serenata, coreto, cantigas de rixa, bendito, cantigas de cego, cantos de velório e cânticos para as almas são formas de músicas folclóricas.

  • Crendice: (Superstições) as de caráter ativo se manifestam em regiões, cultos dos santos, seitas, cultos de fetiches; e as de caráter passivo nos presságios, esconjuros, orações, tabus e totemismos. Contam com patuás, relíquias, amuletos, talismãs, bentinhos e santinhos.

  • Usos e Costumes: ritos de passagens, usanças agrícolas, pastoris, medicina rústica e trajes.

  • Artes Populares e Técnicas Tradicionais: culinárias, rendas e bordados, cerâmicas e trabalhos artesanais.

A comemoração do Dia do Folclore é a 22 de agosto, data em que a palavra folclore foi empregada pela primeira vez.
A Lenda da Gralha Azul

Introdução

A lenda da Gralha Azul é típica da região sul do Brasil, principalmente do estado do Paraná. A gralha azul é a ave replantadora da árvore símbolo do estado do Paraná: a araucária (tipo de pinheiro).

De acordo com a lenda, a ave tem a missão divina de ajudar na disseminação desta árvore. Durante o outono, os bandos de gralhas azuis pegam os pinhões (frutos das araucárias) e os estocam no solo ou em pedaços de árvores apodrecidos no chão. Neste processo, favorecem o nascimento de novas árvores.

A lenda da gralha azul

A Lenda da Gralha Azul
De acordo com a lenda, há muito tempo, a gralha azul era apenas uma gralha parda, semelhante as outras de sua espécie. Mas um dia a gralha azul resolveu pedir para Deus lhe dar uma missão que lhe faria muito útil e importante. Deus lhe deu um pinhão, que a gralha pegou com seu bico com toda força e cuidado. Abriu o fruto e comeu a parte mais fina. A outra parte mais grodinha resolveu guardar para depois, enterrando a no solo. Porém, alguns dias depois ela havia esquecido o local onde havia enterrado o restante do pinhão.

A gralha procurou muito, mas não encontrou aquela outra parte do fruto. Porém, ela percebeu que havia nascido na área onde havia enterrado uma pequena araucária. Então, toda feliz, a gralha azul cuidou daquela árvore com todo amor e carinho. 

Quando o pinheiro cresceu e começou a dar frutos, ela começou a comer uma parte dos pinhões e enterrar a parte mais gordinha (semente), dando origem a novas araucárias. Em pouco tempo, conseguiu cobrir grande parte do Estado do Paraná com milhares de pinheiros, dando origem a floresta de Araucária. 

Quando Deus viu o trabalho da gralha azul, resolveu dar um prêmio a ela: pintou suas penas da cor do céu, para que as pessoas pudessem reconhecer aquele pássaro, seu esforço e dedicação. Assim, a gralha que era parda, tornou-se azul.

Fidêncio Silva e a gralha azul

Pois foi à fazenda dos Pinheirinhos que veio ter um dia o Fidêncio Silva, homem de grandes negócios, com casa matriz em Curitiba e filial em Ponta Grossa. Havia muito já que não experimentava descanso daquela agitação comercial em que vivia, e a necessidade de um repouso prolongado tornara-se-lhe cada vez mais patente.

Ora, Fidêncio Silva era parente afastado da esposa de José Fernandes. Assim, logo que pensou em descanso, lembrou-se dos Pinheirinhos, longe daquele bulício de transações e onde o clima não podia ser mais saudável.

E não tardou que estivesse a respirar, com evidente contentamento, o ar puro e varrido da campanha guarapuavana.

José Fernandes recebeu-o fidalgamente, como costumava fazer para todos que traziam uma certa importância de responsabilidades. Pôs os Pinheirinhos à disposição do seu hóspede pelo tempo que desejasse: um, dois, três meses e mais se lhe aprouvesse.

Ali teria plena liberdade; quando não quisesse sair nas ocasiões de rodeio, poderia ficar em casa, a uma sombra do pomar, folheando qualquer livro da sua biblioteca quase totalmente agrária, mas que possuía, também, alguma literatura. E passeios igualmente não faltariam: um dia voltearia um rincão; outro iria às terras de planta, levando espingarda para espantar algum porco-do-mato; hoje faria uma caçada de anta mais para o sertão ou sairia a passarinhar pelos capões; amanhã correria a vizinhança, ouvindo prosa de caboclo; e até pescaria, se quisesse, poderia fazer no Picuiry, três léguas ser-tão adentro.

Dessa maneira não havia como não corressem agradabilíssimos os trinta dias que Fidêncio Silva pretendia passar nos Pinheirinhos.

E assim foi.

Um domingo depois do almoço, saiu à caça com o fazendeiro.

Bem municiados, espingardas suspensas pelas bandoleiras ao ombro, entranharam-se os dois por extenso e tapado capão, "querência certa de muito veado, cutia e quati" - afirmava o José Fernandes.

Mas a sua asserção foi logo posta em cheque pela evidência dos fatos: os caçadores não viam um só animalzinho que merecesse chumbo grosso, embora já tivessem andado muito. Passaram então a sondar a ramagem, na esperança de divisar algum pássaro de saborosa carnadura.

Em certo momento Fidêncio Silva parou e fez um sinal de silêncio ao companheiro. Depois, engatilhou, apressado, a arma, e firmou pontaria, visando a fronde de retorcida guabirobeira.

O fazendeiro procurou a caça, erguendo o olhar para a direção indicada pelo cano da espingarda. Súbito, um tremor sacudiu-lhe o corpo e, de um pincho, esteve ele ao lado de Fidêncio Silva. Mas já era tarde: o rebôo do tiro perdia-se molemente pelas quebradas da mata, soturno, a evocar tristeza naquela quietude frouxa de um mormaço estonteante.

A expressão condoída da fisionomia do José Fernandes durou pouco e de todo desapareceu ao ruflar das asas ligeiras esgueirando- se assustadiças por entre as tramadas franças. O atirador errara o alvo e, boquiaberto, todo interrogação, estacava os olhos no fazendeiro, que, ainda com a mão no cano da arma, que pretendera desviar antes do tiro partir, desafogava um longo suspiro de satisfação.

- Meus parabéns!, foram as primeiras palavras de José Fernandes, entre irônicas e zombeteiras.

- Parabéns!?, exclamou, ainda mais intrigado, o Fidêncio Silva.

- Então nào merece cumprimentos o caçador que erra tiro em gralha azul? Renovo-os: toque nestes ossos!

E estendeu-lhe a destra.

- Quero compreender as suas palavras, mas creia, não posso atinar com o porquê do seu arrebatamento de há pouco. Não matar com carga de chumbo um pássaro do tamanho dessa gralha, concordo que seja de péssimo atirador; porém...

- Não. Não o censurei por errar. Muito pelo contrário: apresentei-lhe os meus sinceros parabéns.

Confundido, meio envergonhado, o Fidêncio Silva confessou:

- O amigo tem, então, duas coisas para explicar-me.

- Uma só, uma só.

- Emendou logo o fazendeiro.

- Há coerência entre as minhas palavras e a anterior atitude. Eu lhe conto tudo. Sente-se aí nesse tronco caído e escute-me.

O negociante obedeceu maquinalmente. Depois tirou de um lenço e pôs-se a enxugar o suor que lhe escorria pelo rosto, enquanto, largando o corpo preguiçosamente sobre a trançada grama, José Fernandes foi falando assim:

- Era no inverno, quinze anos atrás. Havia muita seca e o gado caía de magro. Certa tarde montei a cavalo e saí a costear banhados e a percorrer sangas, na esperança de salvar alguma criação que porventura se atolasse ao saciar a sede.

Levava comigo uma velha espingarda de ouvido, que sempre me acompanhava, porque naquele tempo não poupava graxaim que encontrasse pelo campo, a negociar leitões e carneirinhos. Pois bem, regressava para casa, vagaroso, o pensamento nos grandes prejuízos que a seca estava ocasionando, quando vi um bando de gralhas azuis descer à beira de um capão, entre numeroso grupo de pinheirinhos.

Para afugentar, ainda por pouco, a minha tristeza, acrescida pelo fato de ter naquela volteada encontrado mais duas reses estraçalhadas pelos corvos, resolvi dar caça àqueles animaizinhos. Aproximei-me cauteloso, apeando a respeitosa distância. Não muito longe, detive-me à sombra de um pinheirinho e contemplei, por instantes, o bando.

- Eram poucas as gralhas, e notei que revolviam o solo com o bico. Fazer pontaria e puxar gatilho foi obra de um momento. Mas, ai! que horrível o segundo que se lhe seguiu: a espoleta estraçalhou-se e vários estilhaços, de mistura com os resíduos da pólvora, vieram dar em cheio em meu rosto. Tonteei, bambearam-se-me as pernas e caí sobre a macega.

- Quanto tempo estive desacordado, não lhe sei dizer. Antes, porém, de recuperar os sentidos, quando o Sol já se encobria por trás da mata, um pesadelo fabuloso, qual uma história de fadas, gravou-se-me na memória. Revi-me de arma em punho, pronto para fazer fogo.

Quando o fiz, iluminou-se o alvo e, abertas as asas brilhantes, o peito a sangrar, veio ele de manso, se achegando a mim. Os pés franzinos evitavam os sapés esparsos pelo chão e o andar esbelto tinha qualquer coisa de divino. Dardejante o seu olhar, estremeci ante aquela figurinha de ave e deixei cair a arma. Estático já, estarreci ao ouvir os sonoros e compreensíveis sons que aquele delicado bico soltava naturalmente. Dizia a gralha:

"És um assassino! Tuas leis não te proíbem matar um homem? E quem faz mais do que um homem não vale pelo menos tanto quanto ele? Eu, como humilde avezinha, entoando a minha tagarelice selvagem como o marinheiro entoa o seu canto de animação na véspera de praticar seus feitos, faço elevar-se toda essa floresta de pinheiros; bordo a beira das matas com o verdor dessas viçosas árvores; multiplico, à medida de minhas forças, a madeira que te serve de teto, que te dá o verde das invernadas, que te engorda o porco, que te aquece o corpo, que te locomove dando o nó de pinho para substituir o carvão-de-pedra nas vias férreas. E ignoras como eu opero!... Vem. Acompanha-me ao local onde me interrompeste o trabalho, para aprenderes o meu doce mister. Vês? Ali está a cova que eu fazia e, além, o pinhão já sem cabeça, que eu devia nela depositar com a extremidade mais fina para cima. Tiro-lhe a cabeça porque ela apodrece ao contato da terra e assim apodrece o fruto todo, e planto-o de bico para cima a fim de favorecer o broto. Vai. Não sejas mais assassino. Esforça-te, antes, por compartilhar comigo nesta suave labuta".

A gralha desapareceu e eu voltei à razão. Levantei-me a custo e fui ao local escavado pelas aves, uma das quais jazia com o peito manchado de sangue, ao lado de um pinhão já sem cabeça. Admirado, verifiquei a certeza da visão: mais adiante cavouquei com as mãos a terra revolvida de fresco e descobri um pinhão com a ponta para cima e sem cabeça.

O José Fernandes fez uma pausa e depois concluiu, mal encobrindo a sua alegria:

- Aí está, caro Fidêncio, como vim a ser um plantador de pinheiros. Quero valer mais que um homem: quero valer uma gralha azul.
A lenda do Frade e a Freira
Quando a região se povoava no trabalho da terra, vieram também os semeadores da Fé, pregando e sofrendo ao lado dos homens pecadores.

Um frade ali missionou, ensinando orações e espalhando exemplos de esperança.

Era moço, forte, soldado da milícia que vencia o mundo, batalhando por Jesus Cristo.

Na aldeia, não mais acampamento indígena e ainda não Vila del Rei, freiras divulgavam a ciência do esforço e do sacrifício, silenciosa e contínua como o correr de um rio na solidão.

Aqueles que se deram a Deus, só a Ele pertencerão eternamente. O amor divino é absoluto e completo. Nada restará para a esmola a outros amores.

Frade e Freira, servo e esposa de Cristo, amaram-se, tendo os sinais visíveis do juramento a um outro amor, inviolável e severo.
A lenda do Frade e a Freira
Foram amando e padecendo, abafando no coração a chama alta do desejo fremente, invasora, sonora de paixão.

As razões iam desaparecendo na marcha alucinante de um amor tão vivo e maravilhoso como a terra virgem que o acolhia.

De furto, orando, chorando, penando, encontravam-se para um olhar mais demorado e uma recordação mais cruel e deliciosa.

Nas margens do Itapemirim andavam as duas sombras negras, juntas, numa procissão de martírio, resistindo às tentações da floresta, do silêncio e da vontade envolvedora.

Se foram ou não um do outro, num milagre humano de esquecimento, não recorda a memória popular.

Apenas, uma vez, não voltaram às suas casas. Faltou um frade nas matinas e houve um lugar vago entre as freiras.

Às margens do Itapemirim, claro e rápido, sobre fundamentos de granito, ergueu-se o casal, num diálogo que atravessa os séculos, ouvido pelas tempestades e compreendido pelos passarinhos.

É o grupo do Frade e a Freira...

Transformou-os Deus em duas estátuas de pedra-, reconhecíveis, identificáveis, perfeitas.

Não os separou nem os uniu num abraço perpétuo à face dos homens.

Deixou-os próximos e distanciados, nas atitudes de meditação e de reza, de sonho e de resignação, frente a frente, imagem da imóvel fidelidade, da obstinação amorosa, esperando o infinito.

E assim, eternamente, ficarão...
A Lenda da Fonte dos Amores
Onde se estende o Passeio Público, do Rio de Janeiro, refletiam-se ao sol as águas estagnadas da lagoa do Boqueirão, terrenos do Campo da Ajuda, com orla de lama e orquestra de sapos.

Para o alto, na direção do morro de Santa Teresa, erguia-se uma casinha romântica, ao lado de uma palmeira ornamental. Morava aí a linda Suzana, a moça mais bonita e mais pobre dos arredores, com sua velha avó.

Suzana era noiva de Vicente Peres, auxiliar de botânica de Frei Conceição Veloso, apaixonado e ciumento.

Dom Luís de Vasconcelos e Souza, décimo segundo Vice-Rei do Brasil, governava.

Vez por outra, passeando, o futuro Conde de Figueiró encontrava Suzana, parando para admirá-la. E acabou desejando por sua a menina carioca, descuidada e simples, moradora na solidão da lagoa sinistra.

Cheio de planos de reforma, Dom Luís fazia-se acompanhar pelo seu executor fiel nas constrições e sonhos, Valentim da Fonseca e Silva, Mestre Valentim, mestiço, fusco e genial, cujos modelados orgulham a torêutica brasileira.
Lenda a Fonte dos Amores
O Vice-Rei e Mestre Valentim, ocultos numa touceira de bambus, espreitavam Suzana, surpreendendo-a em idílio com o enamorado Vicente Peres.

O noivo soubera dos encontros com Dom Luís, e lamentava a traição ingrata da futura esposa. A menina defendia-se, defendendo o Vice-Rei, tão longe e tão próximo.

- Não deve acusar nem desconfiar de mim. Dom Luís é um coração de ouro, pai dos pobres, justiceiro e valente. Nunca oprimiu nem perseguiu ninguém. Deus o protege porque ele é forte e generoso. Em vez de você pensar que ele está contra a nossa felicidade, deve, bem antes, procurá-lo e pedir-lhe a proteção. Estou convencida de que tudo ficará melhor para nós. Tenha confiança nele como eu tenho...

Dom Luís, bem contra a sua vontade, enterneceu-se. Jurou, mentalmente, que faria melhor serviço a Deus, protegendo um casalzinho jovem, que conquistando uma mocinha pobre. Sem fazer rumor, sempre com Mestre Valentim, recuou, ganhou o piso sinuoso da estrada, montou a cavalo e voltou para o Paço, sonhando as compensações que Vicente Peres merecia.

No outro dia mandou-o chamar. Nomeou-o secretário de Frei Veloso, que estava classificando o material brasileiro da "Flora Fluminense", e mais um cargo na Alfândega, quando terminasse a tarefa.

E, meses depois, acompanhou Suzana e Vicente ao altar, na manhã do casamento, como padrinho e protetor.

A lagoa do Boqueirão foi vencida pelos trabalhos que Mestre Valentim chefiava, sob a palavra animadora do Vice-Rei. Sobre o terreno consolidado plantou-se um horto, e dezenas de árvores cobriram de sombras agasalhadoras o que dantes era lodo e cisco. Nascera, por mais de cem anos, o mais popular e querido dos logradouros do Rio de Janeiro.

Mestre Valentim, sob comando, concebeu e realizou uma fonte-monumento, a Fonte dos Amores, nome de mistério que a lembrança de Suzana presidia e explicava.

Acostada ao muro do lado do mar, via-se uma cascata. No cimo, alta e esguia, subia uma palmeira de bronze, representando aquela que cobrira a choupana desaparecida. Entre as pedras, irregulares e artísticas, pisavam três garças de bronze, leves, airosas, ignorantes do perigo oculto, materializado em dois grandes jacarés, de caudas entrelaçadas, goelas abertas, de onde caía, em continuidade sonora, as águas límpidas.

As garças eram Suzana, Vicente e a avozinha. Os dois jacarés personalizavam o próprio Vice-Rei e seu companheiro, o modelador do fontenário, inaugurado em 1783.

O tempo derrubou a palmeira de bronze, lembrança da tranquilidade primitiva e bucólica. As três garças, memórias das vidas doces e confiadas, desapareceram.

Quem for visitar o Passeio Público, e olhar a Fonte dos Amores, verá que somente os dois jacarés, símbolo da cobiça astuciosa, resistiram e estão vivendo, mandíbulas abertas, através dos séculos...
A Lenda do Guaraná
Conta a Lenda que em uma aldeia dos índios Maués havia um casal, com um único filho, muito bom, alegre e saudável.

Ele era muito querido por todos de sua aldeia, o que levava a crer que no futuro seria um grande chefe guerreiro. Isto fez com que Jurupari, o Deus do mal, sentisse muita inveja do menino. Por isso resolveu matá-lo. Então, Jurupari transformou-se em uma enorme serpente e, enquanto o indiozinho estava distraído, colhendo frutinhas na floresta, ela atacou e matou a pobre criança.

Seus pais, que de nada desconfiavam, esperaram em vão pela volta do indiozinho, até que o sol foi embora.

Veio a noite e a lua começou a brilhar no céu,  iluminando toda a floresta. Seus pais já estavam desesperados com a demora do menino. Então toda a tribo se reuniu e saíram para procurá-lo. Quando o encontraram morto na floresta, uma grande tristeza tomou conta da tribo.

Ninguém conseguia conter as lágrimas. Neste exato momento uma grande tempestade caiu sobre a floresta e um raio veio atingir bem perto do corpo do menino.

Todos ficaram muito assustados. A índia-mãe disse: "...É Tupã que se compadece de nós. Quer que enterremos os olhos de meu filho, para que nasça uma fruteira, que será nossa felicidade". E assim foi feito.

Os índios plantaram os olhos do indiozinho imediatamente, conforme o desejo de Tupã, o rei do trovão.

Alguns dias se passaram e no local nasceu uma plantinha que os índios ainda não conheciam. Era o Guaranazeiro.

É por isso que os frutos do guaraná são sementes negras rodeadas por uma película branca, muito semelhante a um olho humano.

A Lenda do Guaraná
E o fruto trouxe progresso da tribo. Ajudou os velhos e deu mais força aos guerreiros.

Curiosidades sobre o guaraná:

A palavra guaraná é de origem indígena, pois deriva da palavra tupi wara’ná. É o termo dado pelos índios tupis para esta planta.

Numa outra versão da lenda, quando o bom índio nasceu, pararam as guerras que existiam entre as tribos indígenas rivais da região. Veio então um período de paz e fartura.

Guaraná (Paulinia cupana) – do tupi wara’ná. Arbusto trepador que tem propriedades excitantes, pelo conteúdo de cafeína e teobromina.

As sementes maduras do guaraná, depois de torradas e moídas, formam uma massa plásticas macia e homogênea de cor cinzenta, que, depois da defumação para secagem, muda para vermelho-escura, às vezes quase roxa, escurecendo com o tempo, devido à oxidação. É na fase de massa moldável que se preparam os “pães”, de formas cilíndricas, elípticas ou ovais, que, depois de adquirirem consistência extremamente dura e inalterável, são oferecidos no comercio.

O “pão” de guaraná é constituído por massa duríssima e, para ser consumido, precisa ser desbastado com lima de aço ou, como o fazem as populações rurais da Amazônia, limado com o osso hióide (erradamente chamado de língua) do Pirarucu.

Como refrigerante, o nome guaraná é reservado à bebida não alcoólica, gasosa, que contenha no mínimo 1% de extrato de guaraná (produto resultante do esmagamento da semente de guaraná torrada), mais açúcar, acidulantes (como o ácido cítrico) e substâncias aromáticas. Muito difundido no Brasil, o guaraná é também exportado; tem ação refrigerante e tônica, sendo rico em cafeína.

No folclore, Guaraná de figuras, são enfeites fabricados com sementes de guaraná descartadas como inaproveitáveis para a alimentação, com as quais se faz a massa plástica e que se defuma para endurecer.

Verdadeiros artistas modelam objetos (bandejas, cálices, canetas), frutas (biribás, ananás, mungubas) e animais (antas, quatis, jacarés, macacos, tatus), que são comercializados como curiosidades ou lembranças de viagem pela Amazônia.

Os índios Maués preparam uma massa comestível com as sementes desse arbusto.
Diferenças Entre Mitos e lendas
Não raro, os termos mito e lenda são empregados erroneamente como sinônimos. Embora os dois tenham uma relação e possuam elementos comuns, fazendo parte da tradição oral dos povos, são manifestações diferentes.

Tanto o mito como a lenda são narrações que contam ou explicam determinados episódios históricos ou religiosos de uma determinada comunidade, porém, existem diferenças entre os dois.

Os mitos

Diferenças Entre Mitos e lendas
O mito é uma narração de caráter fantástico, normalmente protagonizada por personagens sobrenaturais e heroicos, sendo usado para explicar fatos da realidade e fenômenos naturais que não eram compreendidos pelos povos antigos.

Este tipo de narração procura explicar a origem do mundo, os fenômenos da natureza ou determinados aspectos religiosos vinculados a uma comunidade ou civilização, com a utilização de simbologia, personagens sobrenaturais, deuses e heróis, misturados a fatos reais, características humanas e pessoas que existiram de fato.

Confira a seguir as características dos mitos:
  • Possui caráter explicativo ou simbólico;
  • Busca explicar as origens do mundo e do homem por meio personagens como deuses ou semi-deuses;
  • Explica a realidade por meio de suas histórias sagradas, que não possuem embasamento para serem aceitas como verdades.
A mitologia agrupa todos os mitos de uma determinada comunidade ou civilização. Dentre os mitos mais populares estão a caixa de Pandora, os mitos dos deuses que deram nome aos planetas do Sistema Solar e o mito de Excalibur.

As lendas

As lendas são relatos folclóricos transmitidos oralmente, com o objetivo de explicar acontecimentos misteriosos ou sobrenaturais. As histórias são fantásticas e são criados com elementos de ficção que podem ser baseadas em algum acontecimento histórico.

As lendas são contadas ao longo do tempo e podem ser modificados pela imaginação das pessoas e, por este motivo, uma mesma lenda pode ser diferente entre uma população e outra, adaptando-se às circunstâncias de cada comunidade.

Este tipo de narração costuma servir para explicar algum acontecimento histórico ou de uma determinada comunidade. Também possuem um caráter literário e existem livros com este tipo de histórias.

Confira a seguir as características das lendas:
  • Ocorre a mescla da realidade dos fatos com fantasia ou ficção;
  • Faz parte da tradição oral;
  • Os fatos reais e históricos servem como suporte às histórias;
  • Por serem repassadas oralmente, sofrem mudanças ao longo do tempo.
A lenda do cavalo de Tróia é um exemplo universal deste tipo de narração. No Brasil, podemos destacar as lendas da Cuca, Saci Pererê, Curupira ou Caipora, Mula-sem-cabeça, Boitatá e Pisadeira.

Autor: Débora Silva
Graduada em Letras (Licenciatura em Língua Portuguesa e suas Literaturas)
Aventuras de Perseu
A vida de Perseu era muito interessante, cheia de aventuras. Ele era o filho do deus Zeus e Dânae.

Sua reputação e caráter rapidamente o transformaram em um herói local de Argos (um lugar em Peloponeso, na Grécia). Acrísio, o avô de Perseu, perguntou a um oráculo se ele alguma vez teria filhos; a resposta que ele obteve foi chocante e levou-o a viver uma vida de paranoia.

Ele foi informado de que sua filha teria um filho que eventualmente o mataria. Acrísio, conduzido pela força do medo, manteve sua filha Dânae presa em uma caverna subterrânea com paredes de latão. No entanto, o poderoso Zeus, que tinha um olho para a beleza e um jeito com as mulheres que poucos ousavam competir, já havia visto a linda donzela.

Ele se transformou em uma chuva dourada e entrou na caverna onde Dânae era mantida. Através de sua união, Dânae deu à luz um bebê, que conseguiu manter em segredo por algum tempo.

Porém, não demorou muito para que seu pai irritado descobrisse sobre o bebê. Ele se recusou a acreditar que Zeus tinha algo a ver com isso, então ele condenou a enfermeira de Dânae, pois ele acreditava que ela havia orquestrado esse caso.

Aventuras de Perseu
Ele pensou em matar seu próprio neto, mas sua culpa não o deixaria. Desesperadamente buscando uma solução que não representaria perigo para sua vida, ele decidiu. Ele tinha uma arca de madeira construída para sua filha e seu neto, e imediatamente ordenou que os dois fossem colocados nela e se pusessem à deriva no mar.

Dias e noites se passaram, Dânae e seu bebê sobreviveram. Eventualmente, a arca de madeira foi parar na ilha de Sérifos. Lá, um pescador chamado Dictes, que era o irmão de Polidecto, o governante da ilha, encontrou a arca.

Ele gentilmente levou o jovem Perseu e sua mãe e compartilhou sua casa com eles.

Durante este tempo, Perseu tornou-se um homem forte e valente abençoado com muitos talentos, sem dúvida o resultado da graça de Deus. No entanto, Polidecto se apaixonou por Dânae, e Perseu, querendo protegê-la, manteve sua mãe sob guarda o tempo todo.

Então, Polidecto elaborou um plano; ele convidou alguns amigos para o jantar e perguntou-lhes que presente eles o traria se ele alguma vez pedisse um. Perseu respondeu que se fosse necessário, ele levaria a cabeça de Medusa, a Górgona, para ele; Medusa era um monstro temível, que transformava em pedra qualquer pessoa que a olhasse nos olhos.

O Rei concordou e pediu a Perseu para lhe trazer a cabeça da Medusa, caso contrário, ele tomaria sua mãe pela força.

Perseu empreendeu sua aventura para obter a cabeça de Medusa. Os deuses, é claro, que gostavam de intervir nos assuntos dos mortais, não deixariam Perseu indefeso.

Athena e Hermes começaram a ajudar Perseu com esse desafio. Com sua inteligência e perspicácia, Perseu conseguiu enganar as ninfas. Eles lhe deram sandálias aladas, então ele podia voar acima do chão; um saco, para que ele pudesse levar a cabeça da Medusa; e o capacete de Hades, o que o tornaria invisível.

Usando as sandálias aladas, Perseu voou acima de Medusa, olhando apenas seu reflexo usando o escudo brilhante que Athena lhe havia dado. Invisível graças ao capacete de Hades, Perseu cortou a cabeça da Medusa, colocou-a no saco e voltou para casa.

Ao voltar para casa, conheceu Andrômeda a quem ele salvou de um monstro marinho. Eles rapidamente se apaixonaram e decidiram se casar. No entanto, o tio de Andrómeda, que a queria para si mesmo, discordou e conspirou para matar Perseu. Ter a cabeça de Medusa deu a Perseu uma grande vantagem.

Ele tirou a cabeça e assim que o tio de Andrómeda a olhou, ele se transformou em pedra. Quando Perseu chegou em casa, ele fez o mesmo com Polidecto, que estava perseguindo a mãe de Perseu.

O que aconteceu, no entanto com Acrísio, o avô de Perseu?

Ao ouvir as realizações de Perseu, ele fugiu para muito longe, mas isso não foi suficiente para escapar de seu destino. Ele participava de uma cerimônia de jogos na cidade de Larissa, que foi organizada pelo rei Tentâmides. Perseu também participava do evento; quando foi sua vez de jogar o disco, ele escorregou de sua mão e bateu na cabeça de seu avô, matando-o.

Quando Perseu descobriu que ele havia matado seu avô, ele ficou profundamente triste e ele o enterrou com honra.