47 Músicas do Folclore Brasileiro
A música folclórica brasileira envolve cantos, festejos, danças, jogos, religiosidade e brincadeiras diversas. Saul Martins, em seu estudo acerca do assunto, aponta o lundu, a tirana e a modinha como primeiras manifestações da música folclórica no Brasil. Sendo a primeira trazida pelos africanos, a segunda pelos espanhóis e a última pelos portugueses.

De acordo com o mesmo autor, são características da música folclórica:

É procedente das camadas mais simples da sociedade. É anônima, espontânea, durável, persistente e, antiga ou tradicional, não está sujeita à moda, é uma herança cultural. É funcional, ou seja, atende a uma necessidade psicológica. É transmitida por via oral, sem muitas técnicas, de forma direta, às vezes com variantes. É tecnicamente simples, com melodias e letras de pequena extensão, portanto de fácil assimilação.

É ainda Saul Martins, quem tenta de certa forma dar uma classificação ao gênero, entre as quais se incluem modinhas, lírico-narrativas, brejeiras, religiosas, satíricas, de oficio, de autos e folguedos, de diversão e de danças.

Antônio Henrique Weitzel, divide a música folclórica em acalantos, cancioneiro Infantil, cantigas de roda, toadas de escolha, toadas de ensino, brincadeiras cantadas, romance, abecês, quadras e desafios. Além dessas, podemos encontrar ainda, os aboios, pregões, emboladas, toadas sertanejas e a moda de viola, sendo as três últimas conhecidas por cantorias.

Além das letras e das melodias, segundo Luiz Martins Abraão e Saul Martins, temos também os instrumentos considerados folclóricos, entre os quais, se incluem a viola, a rebeca e especialmente os instrumentos de origem africana, como o atabaque, o adjá, o bongô e outros.

47 músicas do Folclore Brasileiro

A característica principal das músicas do folclore brasileiro é com relação à sua popularidade. Sim, porque as canções que ouvimos quando criança são populares até hoje, pois vêm sendo transmitidas de geração em geração. São letras simples, às vezes com muitas repetições, o que facilita a memorização.

Existem diversas definições para o que se considera como música folclórica. Entre elas:

  • Músicas que não têm um autor conhecido.
  • Canções que foram transmitidas por diversas gerações através da tradição oral, sem serem escritas.
  • Canções que ninguém possui - que entraram no "domínio público".
  • Canções que todos em uma comunidade conhecem.
  • Música étnica: músicas pelas quais um grupo cultural se define - ou pela qual é definido.
  • Música acústica tocada com instrumentos "tradicionais".
  • Música que qualquer um pode tocar e cantar.
  • Música interpretada por músicos amadores.
  • Música que aborda temas de cunho social e político.
  • Canções de, por, e para "as pessoas".
  • Canções baseadas em imagens naturais, lendas antigas e simbolismo arquetípico.
  • Músicas de história; Baladas.
  • Músicas onde as letras realmente "importam".
  • Música que desafia as categorizações

Veja 47 músicas do folclore Brasileiro

Escravos de Jó

Os escravos de Jó
Jogavam caxangá
Tira, põe,
Deixa o zabelê ficar
Guerreiros com guerreiros
Fazem ziguezigue zá
Guerreiros com guerreiros
Fazem ziguezigue zá.

Eu entrei na roda

Ai, eu entrei na roda
Ai, eu não sei como se dança
Ai, eu entrei na “rodadança”
Ai, eu não sei dançar
Sete e sete são quatorze, com mais sete, vinte e um
Tenho sete namorados só posso casar com um
Namorei um garotinho do colégio militar
O diabo do garoto, só queria me beijar
Todo mundo se admira da macaca fazer renda
Eu já vi uma perua ser caixeira de uma venda.

Fui ao Tororó

Fui no Tororó beber água não achei
Achei linda Morena
Que no Tororó deixei
Aproveita minha gente
Que uma noite não é nada
Se não dormir agora
Dormirá de madrugada
Oh! Dona Maria,
Oh! Mariazinha, entra nesta roda
Ou ficarás sozinha!

Marcha soldado

Marcha Soldado
Cabeça de Papel
Se não marchar direito
Vai preso pro quartel
O quartel pegou fogo
A polícia deu sinal
Acorda acorda acorda
A bandeira nacional.

Marinheiro só

Oi, marinheiro, marinheiro,
Marinheiro só
Quem te ensinou a navegar?
Marinheiro só
Foi o balanço do navio,
Marinheiro só
Foi o balanço do mar
Marinheiro só.

Meu limão, meu limoeiro

Meu limão, meu limoeiro,
Meu pé de jacarandá,
Uma vez, tindolelê,
Outra vez, tindolalá.

Peixe vivo

Como pode o peixe vivo
Viver fora d’água fria?
Como pode o peixe vivo
Viver fora d’água fria?
Como poderei viver,
Como poderei viver,
Sem a tua, sem a tua,
Sem a tua companhia?
Os pastores desta aldeia
Já me fazem zombaria
Os pastores desta aldeia
Já me fazem zombaria
Por me ver assim chorando
Sem a tua, sem a tua companhia.

Pai Francisco

(O Pai Francisco fica fora da
roda enquanto todos cantam:)
Pai Francisco entrou na roda
Tocando seu violão!
Da…ra…rão! Dão!
Vem de lá seu delegado
E Pai Francisco foi pra prisão.
(Pai Francisco se aproxima da
roda, requebrando, e escolhe
um companheiro para substituí-lo.)
Como ele vem
Todo requebrado
Parece um boneco
Desengonçado.
(A brincadeira recomeça.)

A barata diz que tem

A barata diz que tem sete saias de filó
É mentira da barata, ela tem é uma só
Ah ra ra, iá ro ró, ela tem é uma só
A Barata diz que tem um sapato de veludo
É mentira da barata, o pé dela é peludo
Ah ra ra, Iu ru ru, o pé dela é peludo!
A Barata diz que tem uma cama de marfim
É mentira da barata, ela tem é de capim
Ah ra ra, rim rim rim, ela tem é de capim.

A canoa virou

A canoa virou
Por deixá-la virar,
Foi por causa da Maria
Que não soube remar
Siriri pra cá,
Siriri pra lá,
Maria é velha
E quer casar
Se eu fosse um peixinho
E soubesse nadar,
Eu tirava a Maria
Lá do fundo do mar.

Alecrim

Alecrim, alecrim dourado
Que nasceu no campo
Sem ser semeado
Oi, meu amor,
Quem te disse assim,
Que a flor do campo
É o alecrim?
Alecrim, alecrim aos molhos,
Por causa de ti
Choram os meus olhos
Alecrim do meu coração
Que nasceu no campo
Com esta canção.

Atirei o pau no gato

Atirei o pau no gato tô tô
Mas o gato tô tô
Não morreu reu reu
Dona Chica cá
Admirou-se se
Do berro, do berro que o gato deu
Miau!!!!!!

A gatinha parda

A minha gatinha parda, que em Janeiro me fugiu
Onde está minha gatinha,
Você sabe, você sabe, você viu ?
Eu não vi sua gatinha, mas ouvi o seu miau
Quem roubou sua gatinha
Foi a bruxa, foi a bruxa pica-pau.

A rosa amarela

Olha a Rosa amarela, Rosa
Tão Formosa, tão bela, Rosa
Olha a Rosa amarela, Rosa
Tão Formosa, tão bela, Rosa
Iá-iá meu lenço, ô Iá-iá
Para me enxugar, ô Iá-iá
Esta despedida, ô Iá-iá
Já me fez chorar, ô Iá-iá…

Se esta rua fosse minha

Se esta rua,
Se esta rua fosse minha,
Eu mandava,
Eu mandava ladrilhar,
Com pedrinhas,
Com pedrinhas de diamantes,
Só pra ver, só pra ver
Meu bem passar
Nesta rua, nesta rua tem um bosque
Que se chama, que se chama solidão
Dentro dele, dentro dele mora um anjo
Que roubou, que roubou meu coração
Se eu roubei, se eu roubei teu coração,
Tu roubaste, tu roubaste o meu também
Se eu roubei, se eu roubei teu coração,
É porque, é porque te quero bem

Balaio

Eu queria se balaio, balaio eu queria ser
Pra ficar dependurado, na cintura de “ocê”
Balaio meu bem, balaio sinhá
Balaio do coração
Moça que não tem balaio, sinhá
Bota a costura no chão
Eu mandei fazer balaio, pra guardar meu algodão
Balaio saiu pequeno, não quero balaio não
Balaio meu bem, balaio sinhá
Balaio do coração.

Boi Barroso

Eu mandei fazer um laço do couro do jacaré
Pra laçar o boi barroso, num cavalo pangaré
Meu Boi Barroso, meu Boi Pitanga
O teu lugar, ai, é lá na cana
Adeus menina, eu vou me embora
Não sou daqui,ai, sou lá de fora
Meu bonito Boi Barroso,que eu já dava por perdido
Deixando rastro na areia logo foi reconhecido.

Boi da cara preta

Boi, boi, boi
Boi da cara preta
Pega esta criança que tem medo de careta
Não , não , não
Não pega ele não
Ele é bonitinho, ele chora coitadinho.

Cachorrinho

Cachorrinho está latindo lá no fundo do quintal
Cala a boca, Cachorrinho, deixa o meu benzinho entrar
Ó Crioula lá! Ó Crioula lá, lá!
Ó Crioula lá! Não sou eu quem caio lá!
Atirei um cravo n’água de pesado foi ao fundo
Os peixinhos responderam, viva D Pedro Segundo.

Cai cai balão

Cai cai balão, cai cai balão
Na rua do sabão
Não Cai não, não cai não, não cai não
Cai aqui na minha mão!
Cai cai balão, cai cai balão
Aqui na minha mão
Não vou lá, não vou lá, não vou lá
Tenho medo de apanhar!

Capelinha de melão

Capelinha de Melão é de São João
É de Cravo é de Rosa é de Manjericão
São João está dormindo
Não acorda não!
Acordai, acordai, acordai, João!

Ciranda, cirandinha

Ciranda, cirandinha,
Vamos todos cirandar,
Vamos dar a meia volta,
Volta e meia vamos dar
O anel que tu me deste
Era vidro e se quebrou,
O amor que tu me tinhas
Era pouco e se acabou.

A barraquinha

Vem, vem, vem sinhazinha
Vem, vem, vem Sinhazinha
Vem, vem para provar
Vem, vem, vem Sinhazinha
Na barraquinha comprar
Pé de moleque queimado
Cana, aipim, batatinha
Ó quanta coisa gostosa
Para você Sinhazinha.

Mineira de Minas

Sou mineira de Minas,
Mineira de Minas Gerais
Rebola bola você diz que dá que dá
Você diz que dá na bola, na bola você não dá!
Sou carioca da gema,
Carioca da gema do ovo
Rebola bola você diz que dá que dá
Você diz que dá na bola, na bola você não dá!

Na Bahia tem

Na Bahia tem, tem tem tem
Coco de vintém, ô Ia-iá
Na Bahia tem!

Na beira da praia

Na beira da praia
Eu vou, eu quero ver
Na beira da praia,
Só me caso com você
Na beira da praia
Você diz que não, que não,
Você mesmo há de ser
Água tanto deu na pedra,
Que até fez amolecer,
Na beira da praia.

Na loja do mestre André

Foi na loja do Mestre André
Que eu comprei um pianinho,
Plim, plim, plim, um pianinho
Ai olé, ai olé!
Foi na loja do Mestre André!
Foi na loja do Mestre André
Que eu comprei um violão,
Dão,dão,dão, um violão
Plim, plim, plim, um pianinho
Ai olé, ai olé!
Foi na loja do Mestre André!
Foi na loja do Mestre André
Que eu comprei uma flautinha,
Flá, flá, flá, uma flautinha
Dão,dão,dão, um violão
Plim, plim, plim, um pianinho
Ai olé, ai olé!
Foi na loja do Mestre André!
Foi na loja do Mestre André
Que eu comprei um tamborzinho,
Dum, dum, dum, um tamborzinho
Flá, flá, flá, uma flautinha
Dão, dão, dão, um violão
Plim, plim, plim, um pianinho
Ai olé, ai olé!
Foi na loja do Mestre André!

O cravo brigou com a rosa

O cravo brigou com a rosa
Debaixo de uma sacada
O cravo saiu ferido
E a rosa, despedaçada
O cravo ficou doente
A rosa foi visitar
O cravo teve um desmaio,
A rosa pôs-se a chorar.

Meu boi morreu

O meu boi morreu
O que será de mim
Mande buscar outro, oh Morena
Lá no Piauí
O meu boi morreu
O que será da vaca
Pinga com limão, oh Morena
Cura urucubaca.

O meu galinho

Há três noites que eu não durmo, ola lá!
Pois perdi o meu galinho, ola lá!
Coitadinho, ola lá! Pobrezinho, ola lá!
Eu perdi lá no jardim
Ele é branco e amarelo, ola lá!
Tem a crista vermelhinha, ola lá!
Bate as asas, ola lá! Abre o bico, ola lá!
Ele faz qui-ri-qui-qui
Já rodei em Mato Grosso, ola lá!
Amazonas e Pará, ola lá!
Encontrei, ola lá!Meu galinho, ola lá!
No sertão do Ceará!

O pobre cego

Minha Mãe acorde, de tanto dormir
Venha ver o cego, Vida Minha, cantar e pedir
Se ele canta e pede, de-lhe pão e vinho
Mande o pobre cego, Vida Minha, seguir seu caminho
Não quero teu pão, nem também teu vinho
Quero só que a minha vida, Vida Minha, me ensine o caminho
Anda mais Aninha, mais um bocadinho,
Eu sou pobre cego, Vida Minha, não vejo o caminho.

Peixinho do mar

Quem me ensinou a nadar
Quem me ensinou a nadar
Foi, foi, marinheiro
Foi os peixinhos do mar.

Pezinho

Ai bota aqui
Ai bota aqui o seu pezinho
Seu pezinho bem juntinho com o meu
E depois não vá dizer
Que você se arrependeu!

Pirulito que bate bate

Pirulito que bate bate
Pirulito que já bateu
Quem gosta de mim é ela
Quem gosta dela sou eu
Pirulito que bate bate
Pirulito que já bateu
A menina que eu gostava
Não gostava como eu.

Que é de Valentim

Que é de Valentim ? Valentim Trás Trás
Que é de Valentim ? É um bom rapaz
Que é de Valentim ? Valentim sou eu!
Deixa a moreninha, que esse par é meu!

Roda pião

O Pião entrou na roda, ó pião!
Roda pião, bambeia pião!
Sapateia no terreiro, ó pião!
Mostra a tua figura, ó pião!
Faça uma cortesia, ó pião!
Atira a tua fieira, ó pião!
Entrega o chapéu ao outro, ó pião!

Samba Lelê

Samba Lelê está doente
Está com a cabeça quebrada
Samba Lelê precisava
De umas dezoito lambadas
Samba, samba, Samba ô Lelê
Pisa na barra da saia ô Lalá
Ó Morena bonita,
Como é que se namora ?
Põe o lencinho no bolso
Deixa a pontinha de fora.

São João da Rão

São João Da Ra Rão
Tem uma gaita-ra-rai-ta
Que quando toca-ra-roca
Bate nela
Todos os anja-ra-ran-jos
Tocam gaita-ra-rai-ta
Tocam gaita-ra-rai-ta
Aqui na terra
Maria tu vais ao baile, tu “leva” o xale
Que vai chover
E depois de madrugada, toda molhada
Tu vais morrer
Maria tu vais “casares”, eu vou te “dares”
Eu vou te “dares” os parabéns
Vou te “dartes” uma prenda
Saia de renda e dois vinténs.

Sapo Jururu

Sapo Jururu na beira do rio
Quando o sapo grita, ó Maninha, diz que está com frio
A mulher do sapo, é quem está la dentro
Fazendo rendinha, ó Maninha, pro seu casamento.

Teresinha de Jesus

Teresinha de Jesus deu uma queda
Foi ao chão
Acudiram três cavalheiros
Todos de chapéu na mão
O primeiro foi seu pai
O segundo seu irmão
O terceiro foi aquele
Que a Teresa deu a mão
Teresinha levantou-se
Levantou-se lá do chão
E sorrindo disse ao noivo
Eu te dou meu coração
Dá laranja quero um gomo
Do limão quero um pedaço
Da morena mais bonita
Quero um beijo e um abraço.

Tutu Marambá

Tutu Marambá não venhas mais cá
Que o pai do menino te manda matar
Durma neném, que a Cuca logo vem
Papai está na roça e Mamãezinha em Belém
Tutu Marambá não venhas mais cá
Que o pai do menino te manda matar.

Vai abóbora

Vai abóbora vai melão de melão vai melancia
Vai jambo sinhá, vai jambo sinhá, vai doce, vai cocadinha
Quem quiser aprender a dançar, vai na casa do Juquinha
Ele pula, ele dança, ele faz requebradinha.

Vamos maninha

Vamos Maninha vamos,
Lá na praia passear
Vamos ver a barca nova que do céu caiu do mar
Nossa Senhora esta dentro,
Os anjinhos a remar
Rema rema remador, que este barco é do Senhor
O barquinho já vai longe
E os anjinhos a remar
Rema rema remador, que este barco é do Senhor (bis).

Você gosta de mim?

Você gosta de mim, ó menina?
Eu também de você, ó menina
Vou pedir a seu pai, ó menina,
Para casar com você, ó menina
Se ele disser que sim, ó menina,
Tratarei dos papéis, ó menina,
Se ele disser que não, ó menina,
Morrerei de paixão.

Alecrim, alecrim dourado

Alecrim, alecrim dourado, que nasceu no campo, sem ser semeado.
Ó meu amor, ó meu amor/ quem te disse assim. Que a flor do campo é o alecrim.
Alecrim, alecrim do campo / por causa de ti, choro o meu pranto.
Ó meu amor ...
Alecrim, alecrim aos molhos, por causa de ti, choram os meus olhos.
Ó meu amor ...
Alecrim, alecrim cheiroso, que se esvoaçou e brotuo de novo.
Ó meu amor ...

Os escravos de jó, jogavam caxangá

Os escravos de jó, jogavam caxangá
Os escravos de jó, jogavam caxangá
Tira, põe, deixa o zambelê ficar
Guerreiros, com guerreiros, fazem zig, zig, zá.
Guerreiros, com guerreiros fazem zig, zig, zá. Plantei um pé de alface
Plantei um pé de alface, a chuva quebrou um galho, rebola, chuchu, rebola chuchu. Rebola senão eu caio.
Tenho uma linda laranja menina
Tenho uma linda laranja menina, só ela que eu tenho, ela é verde e amarela, vira fulano esquerda janela.
Parlendas do Folclore Brasileiro
Parlendas são versinhos infantis ritmados e repetitivos, normalmente são breves e com rimas. São versos bem simples, muito divertidos e fáceis de memorização. São criações anônimas que fazem parte do folclore brasileiro e que passam de geração para geração, transmitindo a cultura oral popular.

As parlendas contribuem para o desenvolvimento da memorização, da comunicação, da socialização e do raciocínio lógico. São usadas em acontecimentos cotidianos, em brincadeiras de roda, em jogos, em decisões, em histórias ou apenas por diversão.

De origem latina a palavra "parlenda" é do verbo Parlare que significa falar, conversar.

Parlendas do Folclore Brasileiro

Em Portugal, as parlendas são conhecidas como "cantilenas ou lengalengas".

Veja alguns exemplos de parlendas do folclore brasileiro

No morro chato

No morro chato
Tem uma moça chata
Com um tacho chato na cabeça.
Moça chata, esse tacho chato é seu?

Sol e Chuva,

Sol e Chuva,
Casamento de viúva.
Chuva e sol,
Casamento de espanhol.

Um sapo dentro do saco.

Um sapo dentro do saco.
O saco com o sapo dentro.
O sapo batendo o papo,
E o papo cheio de vento.

Pedrinha rolou

Pedrinha rolou
Pisquei
Pro mocinho
Mocinho gostou
Contei pra mamãe
Mamãe nem ligou
Contei pro papai
Chinelo cantou

Hoje é Domingo,

Hoje é Domingo,
Pede cachimbo
O cachimbo é de ouro,
Bate no touro,
O touro é valente,
Bate na gente,
A gente é fraco,
Cai no buraco,
O buraco é fundo,
Acabou-se o mundo.

Amanhã é que é Domingo,

Amanhã é que é Domingo,
Pé de cachimbo.
Galo monteiro
Pisou na areia.
Areia é fina,
Que dá no sino.
O sino é de ouro,
Que dá no besouro.
O besouro é de prata,
Que da na barata.
A barata é valente,
Que dá no tenente.
O tenente é mofino,
Que dá no menino.
O menino é danado,
Que dá no soldado.
O soldado é valente, que dá na gente…

Um, dois, feijão com arroz

Um, dois, feijão com arroz
Três, quatro, feijão no prato
Cinco, seis, falar inglês
Sete, oito, comer biscoito
Nove, dez, comer pastéis

Uni duni tê

Uni duni tê
Salamê min guê
Sorvete colorido
O escolhido foi
VOCÊ

Mindinho

Mindinho
Seu vizinho
Pai de todos
Fura bolo
Mata piolho

Lá em cima do piano tem um copo de veneno

Lá em cima do piano tem um copo de veneno
Quem bebeu morreu
O culpado não fui
EU

Eu sou pequena,

Eu sou pequena,
Da perna grossa,
Vestido curto,
Papai não gosta
Homem com homem
Mulher com mulher
Faca sem ponta
Galinha sem pé
(Escondendo dedo por dedo)
Uma, duas argolinhas
Finca o pé na pampolinha
O rapaz que joga faz
Faz o jogo do capão
Lá detrás do morondão
Recolhe o seu dedinho
Que lá vai um beliscão.

Um elefante amola muita gente…

Um elefante amola muita gente…
Dois elefantes… amolam, amolam muita gente…
Três elefantes… amolam, amolam, amolam muita gente…
Quatro elefantes amolam, amolam, amolam, amolam muito mais…
(continua…)

Jacaré foi ao mercado

Jacaré foi ao mercado
Não sabia o que comprar
Comprou uma cadeirinha pra comadre se sentar
A comadre se sentou
A cadeira esborrachou
Jacaré chorou, chorou
O dinheiro que gastou

Nuvem sol

Nuvem sol
Sol nuvem
Céu chuva
Chuva céu
Ai meu deus
Perdi o anel

Comi carne moída

Comi carne moída
E meu interior ficou moído
Meu filho moeu paçoca
E meu cabelo ficou uma maçaroca.

Onça pintada com pintas pretas

Onça pintada com pintas pretas
Me deu tanto medo que fiquei até pintada
Meu namorado ficou pintadinho de cores legais
E eu aqui pintada com pintas pretas
Que na verdade era uma doença que peguei da onça preta

Rola bola, bola rola

Rola bola, bola rola
Rola pedra, pedra rola
Fala logo e não enrola
Que você nasceu na Angola.

Tem peixe na pia fria,

Tem peixe na pia fria,
Pula gato, gato mia,
Lá vem a tia Maria,
E não vem de mão vazia
Pula gato, gato mia
Caiu o chinelo qu’ela trazia

Fui passear na pinguelinha,

Fui passear na pinguelinha,
Chinelo caiu do pé.
Os peixinhos reclamaram:
Que cheirinho de chulé!

Num ninho de mafagafos

Num ninho de mafagafos
Quatro mafagafinhos há
Quem os desmafagafizar
Bom desmafagafizador será

Por detrás daquele morro,

Por detrás daquele morro,
Passa boi, passa boiada,
Também passa moreninha,
De cabelo cacheado.
Quem cochicha,
O rabo espicha,
Come pão,
Com lagartixa.

Piuí, abacaxi

Piuí, abacaxi
Olha o chão pra não cair
Se cair
Vai machucar
E a mamãe não vai gostar
Fui à feira comprar uva.
Encontrei uma coruja,
Pisei no rabo dela.
Ela me chamou de cara suja.

Chuva e sol, casamento

Chuva e sol, casamento
De espanhol.
Sol e chuva, casamento
De viúva.

Cabra cega de onde veio?

Cabra cega de onde veio?
Vim do Pandó
Que trouxeste para mim?
Pão de Ló
Me dê um pedacinho?
Não dá pra mim
Quanto mais pra tua avó.
Luar, Luar
Pega esse menino
E ajuda a criar.

Quem foi a Cotia

Quem foi a Cotia
Perdeu a tia
Quem foi pra Pirapora
Perdeu a hora
Quem foi pra Portugal
Perdeu o lugar
Quem foi à roça
Perdeu a carroça
Rico trigo

Por que o sapo não lava o pé?

Por que o sapo não lava o pé?
Hum… Que cheiro de chulé !
Deve ser porque não quer.
Ele mora lá na lagoa.
Mas ele não lava o pé é mesmo porque não quer ?
Ele até que quer, mas canta muito e se encanta,
Acaba se esquecendo do seu chulé. Que chulé !
E Dona Sapa, mulher do sapo, não se incomoda ?
Já virou moda, chulé do sapo que ela quer.
Que chulé essa Dona Sapa, não larga do
Pé do sapo.
Que saco ! Que estresse, por isso mesmo é que o sapo
Se esquece do seu chulé, de lavar seu pé.

Eu fui por um caminho…

Eu fui por um caminho…
Eu também
Encontrei um passarinho…
Eu também
Encontrei um dedo mindinho…
Eu também
Seu-vizinho,
Eu também
Pai de todos,
Eu também
Fura-bolos,
Eu também
Cata-piolhos.
Eu também…

Batatinha quando nasce

Batatinha quando nasce
Espalha a rama pelo chão.
Menininha quando dorme…
Põe a mão no coração.

Um dia, o doce perguntou ao doce

Um dia, o doce perguntou ao doce
Qual era o doce mais doce.
E o doce respondeu ao doce
Que o doce mais doce
É o doce de batata-doce.

Entrou por uma porta,

Entrou por uma porta,
Saiu pela outra.
Quem quiser
Que conte outra.
Cavalhadas
Na Idade Média, os árabes foram denominados genericamente de mouros. Estes povos invadiram a Europa por volta do século VIII e só foram banidos do continente europeu no século XV.

As cavalhadas representam a luta entre o exército de Carlos Magno e os mouros. Carlos Magno foi coroado Imperador do Ocidente no ano 800 pelo Papa Leão III.

Alguns autores acreditam que as cavalhadas tenham sido introduzidas no Brasil pelos padres jesuítas como meio de facilitar a catequese através da junção entre o sagrado e o profano.

Definição de Cavalhadas

Cavalhadas

A cavalhada é uma celebração portuguesa tradicional que teve origem nos torneios medievais, onde os aristocratas exibiam em espetáculos públicos a sua destreza e valentia e frequentemente envolvia temas do período da Reconquista da Península Ibérica.

Era um torneio que servia como exercício militar nos intervalos das guerras e onde nobres e guerreiros cultivavam a praxe da galanteria.

As cavalhadas recriam os torneios medievais e as batalhas entre cristãos e mouros, na maioria das vezes com enredo baseado no livro Carlos Magno e Os Doze Pares de França, uma coletânea de histórias fantásticas sobre esse rei.

No Brasil, registram-se desde o século XVII e no município de Nova Lima, desde 1954 (A Cavalhada de São José Operário) e 1975 (A Cavalhada de São Jorge).

As Cavalhadas foram introduzidas no Brasil pelos padres jesuítas durante a catequização dos índios e escravos.

No evento, os personagens principais das Cavalhadas são os cavaleiros, vestidos de azul representado os cristãos ou vermelho (mouros) e armados de lanças e espadas.

A corte é representada por personagens como o rei, o general, príncipes, princesas, embaixadores e lacaios, todos vestidos com ricas fantasias.

No Brasil essa festa acontece em algumas cidades, principalmente a região centro-oeste e sul do país.

Cavalhadas famosas no Brasil são as da cidade de Pirenópolis, no estado de Goiás e de Poconé, em Mato Grosso.

A festa de Pirenópolis incluir além dos personagens principais, os mascarados que representam o povo.

No sul o país temos Cavalhadas conhecidas, como as das cidades de Guarapuava no Paraná, e também cidade do Rio Grande do Sul, como em Cazuza Ferreira, distrito de São Francisco de Paula, Vacaria, Mostardas, Santo Antônio da Patrulha e Caçapava do Sul.

As Cavalhadas de Pirenópolis é reconhecida como uma das mais significativas cavalhadas do Brasil, esta festa virou símbolo e modelo para outras cidades.

A pompa, a garbosidade e a seriedade desta manifestação envolve toda a população que espera ansiosamente por este momento.

Qual a Diferença Entre Mitos, Lendas e Fábulas?
Muitas pessoas me perguntaram qual a diferença entre um mito, lenda, fábula e contos populares?

Mitos, lendas e fábulas são histórias antigas escritas para adultos e crianças. Histórias populares ou de fadas foram escritas especialmente para crianças.

O Que São Mitos?

Os mitos são histórias inventadas que tentam explicar como nosso mundo funciona e como devemos nos tratar. Os mitos geralmente foram definidos há muito tempo, antes da história, como conhecemos, ser escrita.

As pessoas sempre fizeram perguntas como "Como nosso mundo veio a existir?" Ou "Por que os tornados acontecem?" Alguns mitos responderam a essas questões.

Em outros mitos, deuses ou "super-seres" usaram seus poderes para fazer eventos acontecerem. Ou as histórias eram as aventuras de deuses, deusas, homens e mulheres.

Qual a diferença entre mitos, lendas e fábulas?

Esses mitos descreveram as grandes coisas que aconteceram com as pessoas e as escolhas que eles fizeram. Eles podem ser sobre triunfo (alcançar alguma coisa), tragédia (perder alguma coisa), honrar (fazer a coisa certa), ser corajoso mesmo quando você está assustado, ou ser tolo e cometer erros. As pessoas podem ser heróis nessas histórias e deuses e deusas podem usar seus poderes para ajudá-los ou tornar as coisas mais difíceis para eles.

Em todo o mundo, os mitos foram compartilhados por grupos de pessoas e se tornaram parte de sua cultura. Os contadores de histórias passaram as histórias de geração em geração e através das famílias.

Alguns mitos são contados em muitas culturas, mas com variações nos eventos ou personagens. Por exemplo, a maioria das culturas, tribos ou grupos de pessoas tem sua versão de como nosso mundo veio a existir.

Para as pessoas da antiguidade, os mitos eram como a ciência porque explicaram como os eventos naturais funcionam. Hoje, nem sempre sabemos se os mitos são verdadeiros ou não. Algumas das histórias ou personagens podem parecer impossíveis, e a ciência nos dá explicações diferentes para algumas de nossas perguntas. Mas as pessoas em todo o mundo ainda gostam de ler mitos e todos nós gostamos de pensar sobre o que eles podem significar.

"Mito" vem da palavra grega "mythos", que significa "boca a boca".

O Que São Lendas?

As lendas também são histórias que foram inventadas, mas são diferentes dos mitos. Os mitos respondem perguntas sobre o funcionamento do mundo natural, e são definidos há muito tempo atrás, antes do histórico ter sido escrito.

As lendas são sobre pessoas e suas ações ou atos. As pessoas viveram nos últimos tempos e são mencionadas na história. As histórias são contadas para um propósito e são baseadas em fatos, mas não são completamente verdadeiras.

Ou a pessoa nunca realmente fez o que a história diz, ou os eventos históricos foram alterados. O objetivo era tornar a história mais interessante ou convincente, ou ensinar uma lição, como saber o que é certo do errado.

Exemplos de pessoas em lendas inglesas são o rei Arthur, Robin Hood e a rainha Boadicea. Um homem que pode ter sido o rei Arthur é conhecido por ter vivido no século 5 ou 6. Mas as histórias sobre os Cavaleiros da Mesa Redonda e Merlin, o Mágico, podem não ser verdadeiras. O ponto da história era que os cavaleiros e o rei deles defenderam o povo e os ajudaram.

O caráter e os atos de Robin Hood podem ter sido baseados em outra pessoa. Robin de Loxley morava em Nottinghamshire em torno da época da história, e ele ajudou os pobres. Mas ele morava na floresta de Nottingham com um bando de ladrões? Provavelmente não, mas ajudar outras pessoas é importante e a lenda não foi esquecida.

Boadicea foi a primeira rainha do sexo feminino na Grã-Bretanha. A história nos diz que ela viveu no século I e levou o povo a sua luta contra os romanos quando eles invadiram. Os romanos ganharam e conquistaram a Grã-Bretanha. Boadicea foi capturada e morreu na prisão, mas as lendas dizem que ela escapou e lutou. Esta história teve como objetivo encorajar pessoas em países invadidos pelos romanos, resistir e lutar.

Como mitos, as lendas são transmitidas de geração em geração.

Como Usamos a Palavra "Lenda" Hoje?

Hoje as pessoas usam a palavra "lenda" de uma maneira diferente quando falam sobre pessoas e suas ações. Elas podem descrever um jogador de basquete, jogador de futebol, lutador ou corredor como uma "lenda esportiva" ou um ator como uma "lenda do filme".

O que significa é que a pessoa é famosa por suas habilidades ou coisas que eles fizeram. Isso é semelhante ao uso anterior da palavra e às histórias das lendas.

O Que São Fábulas?

Uma fábula é outro tipo de história, também transmitida de geração em geração e contada para ensinar uma lição sobre algo.

Fábulas são sobre animais que podem falar e agir como pessoas, ou plantas ou forças da natureza, como trovões ou vento. As plantas podem se mover e conversar e as forças naturais fazem com que as coisas aconteçam na história por causa de sua força.

As fábulas mais famosas foram escritas por um homem chamado Esopo. Nós as conhecemos como fábulas de Esopo, e ele escreveu mais de 600 delas.

Recuperei algumas das Fábulas favoritas de Esopo para você. Você pode ler sobre a raposa que pensou que era mais esperta do que o gato, ou como a tartaruga ganhou uma corrida contra a lebre.

O Que São Contos de Fadas?

Os contos de fadas são histórias escritas especialmente para crianças, muitas vezes sobre personagens mágicos, como elfos, fadas, goblins e gigantes. Às vezes, os personagens são animais.

Hans Christian Andersen é famoso por escrever contos de fadas. Ele nasceu na Dinamarca em 1805. Exemplos de suas histórias são "A pequena sereia", "Thumbelina (A Polegarzinha) " e "Os sapatos vermelhos".

Em Copenhague, há uma estátua da pequena sereia, sentada em uma rocha na praia do porto, em memória do escritor.

Jakob e Wilhelm Grimm eram irmãos, nascidos na Alemanha em 1785 e 1786. Eles são famosos porque colecionaram muitos velhos contos de fadas de diferentes partes da Alemanha e os escreveram para que as pessoas pudessem ler. Nós os conhecemos como os Irmãos Grimm e sua coleção inclui "Cinderela" e "O Príncipe Sapo".
Fábula: A Lebre e a Tartaruga
Uma manhã, a lebre pulou até o lago, para descansar com a luz do sol quente. Outros animais já estavam lá. A raposa estava deitada nas rochas, limpando seu suave casaco e a tartaruga estava engolindo a grama verde perto da borda da água. A lebre parou e observou-os por um tempo.

Logo a raposa bocejou e se afastou para dormir, mas a tartaruga continuou vagando lentamente, sua pequena língua rosa puxando cada cacho de grama. A lebre agitou as longas orelhas e pulou para perto dela. A tartaruga parou de mastigar e olhou para ela.

"Você parece engraçada quando comeu", riu a lebre. "Seus pés são curtos e grossos, e você se move tão devagar. Não é de admirar que você gaste muito tempo comendo - leva muito tempo para você obter grama suficiente".

A tartaruga apenas olhou para ela, e então começou a mastigar novamente. A lebre estava irritada. Ela queria que todos conversassem com ela. Ela tamborilou um dos seus grandes pés no chão.

Fábula: A Lebre e a Tartaruga

"Eu sou o animal mais rápido", ela gritou. "Quando eu corro a toda velocidade, ninguém pode me vencer". Ela olhou para a raposa, que estava novamente acordada e observando atentamente. "Eu desafio qualquer um para uma corrida", disse a lebre, mexendo as orelhas orgulhosamente.

Ninguém respondeu. Então, a tartaruga engoliu seu bocado de grama. "Eu aceito", disse ela. "Mesmo que você seja tão rápida quanto o vento, eu ainda posso vencê-la em uma corrida".

A lebre riu alto. "Aceito o desafio", disse ela. A tartaruga sugeriu que a raposa deveria escolher quando correriam, onde começariam e o ponto de chegada. A raposa achou que seria muito divertido e sugeriu depois de amanhã como dia da corrida.

Quando chegou a hora, a lebre e a tartaruga se alinharam na rocha plana, que era o ponto de partida designado da raposa. Ela disse que eles deveriam correr a margem do lago e a primeira que passasse junto a antiga árvore caída seria declarada vencedora. A corrida começou.

A lebre saltava à velocidade máxima e logo dobrou uma curva e estava fora da vista. A tartaruga se movia a um ritmo lento e constante - nunca parava para descansar ou comer.

Correndo ao lado do lago, a lebre sentiu o sol quente nas costas e diminuiu um pouco. Então ela parou. "Umm", disse ela, esticando. "Levará muito tempo para a tartaruga recuperar o atraso. Eu tenho tempo para uma soneca". E ela se deitou na grama e dormiu.

A tartaruga avançou lentamente, dobrou a curva, passou a lebre dorminhoca e seguiu em direção ao ponto de chegada. No momento, o sol estava baixo sobre o lago e a noite estava chegando.

A lebre se agitou quando sentiu a queda da temperatura, depois lembrando a corrida, saltou e saltou de novo. Ao longe viu a raposa e os outros animais reunidos perto do ponto de chegada da árvore caída.

"Bom. Eles estão esperando para me aplaudir quando eu ganhar", ela ria enquanto corria. Então ela viu a tartaruga em um montículo de erva ao lado da árvore. A raposa estava falando com ela. A lebre saltou o mais rápido possível. Ela não podia acreditar que havia perdido. A raposa acenou com a cabeça para ela e pediu a todos que ficassem calados. Então ela parabenizou a tartaruga ao ganhar a corrida. A tartaruga estava cansada e dormiu.

Alguns dos outros animais se aglomeraram ao redor da lebre para lhe perguntar o que aconteceu. Ela deveria ter ganho, não deveria? Suas pernas eram muito mais longas do que as tartarugas e ela venceu outras corridas no passado. A lebre estava com raiva de si mesma e se sentia muito boba.

Qual é a moral da história?

Devagar se vai ao longe!

Devagar, mas constante se ganha a corrida

Quando você encara as coisas sem seriedade e desprezo, porque você acha que tem uma vantagem sobre alguém, você pode se surpreender.

Fim
Fábula: A raposa e o gato
Uma raposa e um gato estavam caminhando juntos quando a raposa começou a se orgulhar de quão inteligente era ela.

"Estou preparado para qualquer situação", disse a raposa. "Eu tenho um saco de truques para escolher se meus inimigos tentarem me capturar".

"Tenho medo de ter apenas um truque, mas sempre funcionou para mim", disse o gato timidamente.

A raposa olhou para o gato e balançou a cabeça. "Um truque, que burro é isso? Tenho muitas maneiras de fugir", disse a raposa.

Raposa, "ainda penso que é melhor ter um truque que funciona do que perder tempo tentando escolher entre uma dúzia" disse o gato suavemente.

"Burrice" gritou a raposa. "Você não é tão inteligente quanto eu"

Fábula: A raposa e o gato

Naquele momento, eles ouviram um bando de cães latindo enquanto se aproximavam deles. O gato imediatamente correu até a árvore mais próxima e se escondeu em um dos ramos mais altos.

"Esse é o meu truque", gritou o gato do alto da árvore. "É melhor você chegar a esse saco de truques seus e escolher um agora ou você será história"

"Ok, Ok, fique calmo", disse a raposa para si mesma.

"Eu deveria correr e me esconder atrás da cerca mais próxima?

Ou eu deveria pular em uma toca?

Os cães estavam cada vez mais pertos.

"Pular em uma toca é o caminho a seguir", disse a raposa, e começou a correr ao redor do campo à procura de uma toca.

"Não, esse é muito pequeno, não consigo descer o suficiente. Este é muito grande, eles também podem descer. Talvez esse aqui?"

Muito tarde. Enquanto a raposa desperdiçava o tempo, confundida por muitas escolhas, os cães a pegaram e a mataram.

O gato olhou tristemente e disse: "É melhor ter uma maneira segura do que uma centena que você não pode escolher".

Fim
O mito Aracne – Como surgiu a aranha
Aracne é uma criatura da mitologia grega, cujo nome foi usado mais tarde para palavras como "aracnídeo" e "arachnophobia". No entanto, há muito pouco a temer sobre a história de Aracne. É um conto cauteloso sobre o orgulho que todos podemos aprender.

De acordo com a mitologia, Aracne era uma tecelã muito famosa e talentosa. Ela estava tão orgulhosa de suas habilidades que desafiou a deusa ATHENA a um concurso para ver quem era a melhor.

Athena era a deusa de muitos talentos - guerra, tecelagem, sabedoria, artesanato e aprendizagem - e não aceitou com muita amabilidade o desafio. Ela aceitou, na esperança de colocar Aracne em seu lugar e ensinar-lhe respeito.

Em algumas versões, o constante orgulho de Aracne perturba tanto Athena que é ela que faz o desafio.

O mito Aracne – Como surgiu a aranha

Atena ficou tão irritada com a vaidade exacerbada de Aracne que ela decidiu tecer uma mensagem e um aviso. Ela teceu quatro histórias de humanos que se julgaram iguais aos deuses, que depois foram punidos pelos deuses por sua arrogância. Sem entender a pista, Aracne fez quatro cenas em que os deuses puniam e castigavam os humanos sem uma boa razão.

Para tornar a situação ainda mais incomoda, ficou claro desde o início que a tecelagem de Aracne era muito melhor do que a de Athena. Mesmo que o que ela teceu não fosse muito legal, obviamente estava bem feito. Além disso, as cenas que Aracne teceu não colocaram os deuses em uma luz muito boa. Embaraçada e furiosa, Athena amaldiçoou Aracne. Essa maldição a transformou em uma aranha.

Foi assim que os gregos explicaram por que as aranhas estão constantemente tecendo teias tanto para viver como para prender suas presas.

Algumas versões dessa mitologia terminam de forma diferente. Em uma versão, Athena mostra a Aracne como sua falta de respeito é prejudicial. Envergonhada por suas ações, Aracne tira sua própria vida. Isso faz com que Athena a ressuscite e a transforme em uma aranha, para que ela sempre possa tecer o conteúdo de seu coração.

Em outra versão da mitologia, o desafio de Aracne e Athena tem uma estipulação diferente. Quem perde o desafio tem que prometer que nunca mais tecerão um tear ou um fuso. Nesta versão, Athena ganha. Aracne fica tão desconsolada que não pode mais fazer o que ama, mas, eventualmente, Athena tem pena dela. Mais uma vez, Aracne é transformada em uma aranha para que ela ainda possa tecer e girar sem quebrar a promessa de nunca tocar um tear ou fuso novamente.

No entanto, conforme a mitologia, várias partes-chave permanecem intactas. Um é o respeito, ou a falta dele. Aracne não mostrou o devido respeito por Athena como deusa e como fonte do próprio talento de Aracne.

Na mitologia grega, eles acreditavam que os deuses e deusas deram aos humanos diferentes talentos e habilidades.

Se você fosse bom em tocar música, você daria graças ao deus da música. Se você fosse bom em esportes, cozinhar ou aprender, agradeceria aos deuses responsáveis por isso. A habilidade de Aracne como tecelã era um presente de Athena. Aracne não só nunca agradeceu, como ela pensou que ela era melhor do que a própria deusa!

Outra parte fundamental desse mito é o poder, tanto poder cruel quanto poder amável. Athena pode curar Aracne por despeito, ou pode ter piedade de Aracne e encontrar uma maneira de ajudá-la. Embora tenham poderes impressionantes, os deuses e deusas gregos podiam ser muito humanos em como se comportavam.

Eles ficavam com ciúmes e raiva, ou eram sentimentais e facilmente motivados por sentimentos como a compaixão e o amor. Athena poderia estar dentro de seus direitos de deusa para aceitar o desafio, mas suas reações a Aracne mostram as diferentes maneiras pelas quais um deus poderia usar seu poder em um ser humano. Talvez Aracne não tenha errado em mostrar a maneira como os deuses podem ser cruéis!

Por fim, outra parte importante do mito Aracne é a ideia de transformação e propósito. Mesmo que as aranhas não sejam muito agradáveis de olhar, elas ainda servem um papel útil no reino dos insetos e em nossas casas. As aranhas prendem outros insetos e os comem. Elas principalmente se mantêm a si mesmas, a menos que você mexa com suas teias. Elas são trabalhadoras e cuidam delicadamente de suas pequenas casas.

No mito, Aracne foi amaldiçoada para ser uma aranha ou é transformada em um pelos poderes de Athena.

E mesmo que possamos pensar que não é muito divertido ser uma aranha depois de ser humano, devemos nos concentrar no que significa mudar. Todos mudam em suas vidas, e nem sempre acabamos em quem pensamos que devemos ser. A mudança de Aracne foi apenas um pouco mais literal do que a mudança de vida que geralmente acontece.
O Que é um Mito?
Quando você olha para o céu, você pode ver o sol, a lua, as nuvens, os meteoros, os cometas, os planetas e as estrelas. Você pode reconhecer certos padrões de estrelas, chamados de constelações, como a Ursa Maior e a Ursa Menor, Cruzeiro do Sul, Cães de Caça etc.

Você pode conhecer os nomes dos nove planetas: Mercúrio, Vênus, Terra, Marte, Júpiter, Saturno, Urano, Netuno e Plutão.

Você sabia que muitos dos nomes desses corpos celestes provêm de mitos?

O Que São Mitos?

O que é um Mito?
Uma simples definição de um mito é: "uma história transmitida através da história, muitas vezes através da tradição oral, que explica ou dá valor ao desconhecido".

Os mitos são muitas vezes histórias contadas por pessoas particulares, como índios, egípcios, gregos, romanos e outros. Veja nesse artigo O que são mitos, lendas e contos populares?

Eles estão especialmente ligados a crenças e rituais religiosos. Acredita-se que os rituais invocam um tipo de magia que ajudaria o crescimento das culturas, asseguraria o sucesso na guerra, ajudaria a alcançar a prosperidade ou a fazer escolhas e promover a estabilidade na terra.

Se nada mais, quando as pessoas pensavam que os deuses preferiam um empreendimento, eles se aproximaram com uma atitude positiva que por si só, por vezes, segurou o sucesso.

Músicas, poemas e histórias ajudam a explicar como as pessoas adquiriram coisas básicas como a simples fala, fogo, grãos, vinho, petróleo, mel, agricultura, trabalho em metal e outras habilidades e artes.

Um mito é uma tentativa de explicar outras coisas também, como um certo costume ou prática de uma sociedade humana (por exemplo, um rito religioso), ou um processo natural, como o movimento diário aparente do sol através dos céus.

Em sua imaginação, os gregos dos tempos antigos viram um deus (Apolo) dirigindo uma carruagem dourada desenhada por cavalos ardentes e arrastando o sol pelo céu.

Desertos e montanhas cobertas de neve foram criados quando seu filho, Faetonte, tomou a carruagem para um passeio e não conseguiu controlar os cavalos fortes. Enquanto sabemos hoje, por que o sol e a lua estão em vários lugares do céu durante várias ocasiões de um dia, ainda assim, nós dizemos que o sol ou a lua se levanta ou se põe.

Os mitos foram usados para ensinar o comportamento humano que ajudou as pessoas a viverem em concerto um com o outro.

Os deuses míticos certamente tiveram algum comportamento estranho e não aceitável, mas as histórias muitas vezes demonstraram tópicos como a necessidade de hospitalidade (conto de Philemon e Baucis) ou a necessidade de manter o orgulho sob controle (Narciso).

Nos olhos dos deuses, o orgulho excessivo ou arrogância, era a pior ofensa e merecia a pior punição. (História de Niobe)

Os mitos, então, são histórias sobre certos personagens - deuses, deusas, homens, mulheres e, especialmente, heróis.

As histórias de suas aventuras, sejam triunfos ou tragédias, contos de honra ou contos de vingança, foram transmitidas por contadores de histórias de geração em geração.

Nesta tradição oral, as histórias muitas vezes se tornaram distorcidas, de modo que, na leitura das mitologias de hoje, há muitas variações na mesma história. No entanto, a moral continua a ser a mesma.

Os mitos continuam sendo contados hoje. George Washington foi mitologizado pelo Parson Weems na história da cerejeira, um evento que nunca aconteceu, mas foi usado para ilustrar uma verdade moral sobre o personagem do jovem George.

Histórias são contadas sobre outros americanos famosos, como Ben Franklin e Abraham Lincoln, tornando-os maiores que a vida e os heróis em nossas mentes. Outros mitos americanos incluem as histórias de Paul Bunyan, John Henry e "The Little Engine That Could", que demonstram que grandes coisas podem ser realizadas através da autoconfiança.

Nos mitos antigos, os deuses são imortais - eles nunca morrem. Os deuses alcançam e tocam as vidas de seres humanos mortais, às vezes ameaçando-os, punindo-os ou ajudando-os.

As histórias são tópicos para ótimas artes, literatura e música. São usadas em propagandas, em caricaturas políticas, até nomes de organizações ou empresas.

Conhecer os mitos antigos torna o estudo de arte e literatura mais interessante e divertido!
A lenda do arranca-línguas
A lenda do arranca-línguas
Segundo a lenda o arranca-línguas se parece muito com um gorila, mas não é um gorila. Parece um homem, só que também não é um homem.

O arranca-línguas habita as matas da região do Araguaia, e que já o viu afirma que é bem maior do que um ser humano e adora comer línguas – de cabras, cavalos, bois, e até mesmo de gente.

Quem já viu o arranca-línguas contou pra quem não viu que o bicho cabeludo, de voz fanhosa e cara chata, ataca a boiada durante a noite, e delas só retira a língua, para comer.

Já em relação aos humanos, conta a lenda que o monstro só arranca a língua dos homens que são ladrões de gado.

Dizem que ele se parece mais com o King Kong do que com um gorila africano, que perambula desde a cabeceira do Xingu até as cercanias de Goiânia.

Explicam os historiadores que a região do Araguaia ficou despovoada por muito tempo pelo medo que as pessoas passaram a ter desse monstro que foi apelidado de King Kong goiano.

Dizem os goianos, que as únicas pessoas que viram o arranca-línguas já não enxergam mais.

Na verdade, nunca enxergaram, visto que nasceram cegas. Mas conseguem descrevê-lo muito bem, já que pelo cheiro que ele exalava, dava pra saber a altura, peso, cor dos cabelos e dos olhos, além de sua ultima refeição. Assim, o puderam descrever perfeitamente, ou não.
A lenda da Matinta Perera
A Matinta-Perera, também conhecida como Mati-Taperê, é uma personagem do folclore da região norte do Brasil.

É representada por uma mulher idosa e assustadora que veste uma roupa escura e velha. De acordo com a lenda, a Matinta passa as noites e madrugadas pelas ruas assoviando de forma estridente, amedrontando as pessoas.

Segundo a lenda, na noite que um assobio agudo perturba o sono das pessoas e assusta as crianças, é a ocasião em que o dono da casa deve prometer tabaco ou fumo Matinta Perera.

A lenda da Matinta Perera
Ao ouvir durante a noite, nas imediações da casa, um estridente assobio, o morador diz:

- Matinta, pode passar amanhã aqui para pegar seu tabaco.

No dia seguinte uma velha aparece na residência onde a promessa foi feita, a fim de apanhar o fumo.

A velha é uma pessoa do lugar que carregaria a maldição de "virar" Matinta Perera, ou seja, à noite transformar-se neste ser indescritível que assombra as pessoas. Acredita-se que ela possua poderes sobrenaturais e que seus feitiços possam causar dores ou doenças nas pessoas.

A Matinta Perera pode ser de dois tipos: com asa e sem asa.

A que tem asa pode transformar-se em pássaro e voar nas cercanias do lugar onde mora. A que não tem, anda sempre com um pássaro, considerado agourento, e identificado como sendo "rasga-mortalha".

Dizem que a Matinta, quando está para morrer, pergunta:

"Quem quer? Quem quer?"

Se alguém responder "eu quero", pensando em se tratar de alguma herança de dinheiro ou joias, recebe na verdade a sina de "virar" Matinta Perera.

De acordo com a lenda, a única forma de aprisionar a Matinta Perera é executando alguns rituais como: enterrar no chão (local onde passa a Matinta), à meia-noite, uma tesoura aberta com um terço e uma chave. Quando a Matinta passar por cima ficará presa.

A Matinta Pereira, também chamada de Mati-Taperê, é mais uma lenda do rico e interessante folclore da região amazônica brasileira. Foi possivelmente criado há muitos anos atrás e é passado de geração para geração até os dias de hoje.
A história de Gelert
Muitos anos atrás, em um castelo no fundo das montanhas acidentadas de Eryri, no município de Gwynedd, vivia um valente e respeitado príncipe chamado Llewelyn.

Este príncipe adorava caçar e seu cão de caça favorito era um cão feroz e sem medo chamado Gelert. Gelert acompanhava Llewelyn em todos os lugares e sempre era encontrado à frente da matilha. Nada era muito grande, muito forte ou muito feroz para Gelert, cuja bravura não conhecia limites.

Este príncipe tinha um filho amado, um bebê cuja mãe havia morrido no parto. Llewelyn amava muito sua esposa e ficou destroçado por sua morte. Seu único consolo era seu filho. Em seu leito de morte, Llewelyn havia prometido a sua esposa que ele cuidaria bem do menino e isso ele fez.

Ele aguardava o dia em que os dois pudessem andar juntos, caçando os lobos e os outros animais selvagens encontrados nas antigas colinas e nas florestas escuras de Gwynedd naqueles dias distantes.

Um dia, Llewelyn e seus homens estavam se preparando para sair à caça. O bebê estava dormindo profundamente em seu berço, com sua baba próxima. O dia estava frio e úmido, mas uma enorme lareira ardida no quarto e o berço estava coberto de peles quentes.

O bebê estava seguro e confortável. No entanto, Llewelyn decidiu deixar seu cão, Gelert, para proteger a propriedade. Ao sair, ele acariciou suavemente a cabeça enorme e abatida do cachorro.

"Guarda-os bem, Gelert", disse ele. "Até eu voltar".

A cauda de Gelert bateu o chão lentamente e seus olhos permaneceram no rosto de seu mestre até Llewelyn fechar suavemente a porta atrás dele.

Era tarde quando o príncipe voltou para casa. Ele estava cansado, mas vitorioso. Uma festa suntuosa estava sendo preparada e ele atravessou o grande salão em direção ao quarto, ansioso para ver seu filho e relaxar em frente ao grande fogo.

Mas, ao entrar na sala, viu uma visão terrível. Os móveis estavam revirados, as tapeçarias tinham sido arrancadas de suas cortinas e o berço do bebê estava vazio no chão. As peles luxuosas que cobriam o berço estavam espalhadas nas proximidades, rasgadas em pedaços e manchadas de sangue.

Enquanto Llewelyn estava paralisado no local, ele sentiu um nariz macio, quente e aveludado, acariciando a palma de sua mão. Ele olhou para baixo para ver os olhos confiantes de Gelert olhando para ele. O cachorro parecia exausto, mas movia debilmente sua cauda. Sua cabeça e suas patas estavam manchadas de sangue.

"Você criatura perversa!" Gritou o príncipe. "Este cão matou meu filho!" E, sem mais delongas, ele puxou a adaga e a enfiou profundamente no lado de Gelert. Quando o cão caiu no chão, o príncipe ouviu um suave gemido por trás do berço virado para cima.

Enquanto o cão morria lentamente, Llewelyn pegou suavemente o filho.

Demasiado tarde, ele se virou para ver o corpo meio coberto de um enorme lobo morto no chão.

Graças a Gelert, o bebê permaneceu ileso. Cheio de remorso, Llelwelyn se ajoelhou e acariciou suavemente o amigo fiel e a cauda de Gelert bateu o chão lentamente pela última vez.

O corpo de Gelert foi enterrado fora das paredes do castelo, perto do rio. A enorme laje de pedra, inscrita com o nome de Gelert, ainda marca o túmulo e a aldeia próxima ainda carrega o nome de "Beddgelert" - a sepultura de Gelert.
A lenda da cobra preta que mama
Tio João, açoriano por parte de pai e mãe, louro, de olhos azuis, parecia um alemão. Mas não era.

Português puro. Das Ilhas. Casou com uma ruivinha de origem alemã, dona Olga, trabalhadeira e buenacha como só ela. Depois de um ano de casados, nasceu o primeiro filho — o Joãozinho, lindo e gorducho que até parecia um anjo do céu de tão mimoso! E vivo como quê.

Pois essa criança quase que se foi, junto com a mãe, semanas depois de nascido, por causa da tal cobra.

Tio João morava numa casa de santa fé, legítima casa de gaúcho, paredes de torrão, quando nasceu o piá, e isto porque estava esperando que lhe aprontassem a casa que mandara construir pelo “dr.” Pedreira, velhote curioso que enriquecera levantando casas pros moradores em terrenos da companhia das Minas de carvão…
A lenda da cobra preta que mama
Cinco dias depois de nascido, o guri acordou, de madrugada, chorando que dava pena. A mãe, que acordara sem leite, não sabia porque a criança chorava daquele modo.

Chamaram o doutor. Veio, examinou e nada encontrou na criança. Tudo bem. Durante o dia mamava, dormia e ficava sossegada. Mas de noite, era aquele berbezum. Acordava de madrugada chorando que era um desespero.

E o tempo foi passando, sempre no mesmo. Fizeram tudo, até benzedura. Nada adiantou. E a criança ia emagrecendo dia a dia, e a mãe também.

No fim de seis semanas a criança estava que era pele e osso e dona Olga parecia cair de magra. Um horror! E olhe que ela era uma mulher e tanto.

Remédio e mais remédio. Benzedura e mais benzedura. Simpatias e outras coisas. Tudo em vão.

O desespero invadiu a casa e todo o vizindário estava alarmado com o causo.

O verão chegara e o calor era intenso. Uma noite, como não aguentasse mais dentro do rancho, tio João, lá pelas tantas, acordou e resolveu chegar à janela.

A lua brilhava com intensidade. A noite, de tão clara parecia dia. Tio João pensou em dar uma volta pelo terreiro. E ao voltar-se um raio lindo da lua batia em cheio na cama do casal, onde dona Olga, fraca e esgotada dormia ao lado do pequeno.

Olhou o quadro e duas lágrimas lhe rolaram, dos olhos muitos azuis, cor daquele céu que a lua prateava. Ia sair do quarto quando uma coisa qualquer, escura, se mexeu de mansinho em cima do alvo lençol.

Assustado, inclinou-se sobre o leito e viu, estarrecido enorme cobra que se afastava serenamente! gorda e lustrosa! Tinha, ainda, na boca da criança, a ponta do rabo. E viu, também, que Joãozinho chupava-o para valer!

Devagarinho, pra não acordar a dona e assustá-la, tio João, que então compreendeu a causa daquela definhação toda, afastou-se um pouco para dar tempo a que a cobra descesse e seguisse seu caminho.

Desceu pelo pé do leito e, rastejado preguiçosamente, desapareceu por um buraco da parede junto ao chão de terra batida. Chegando à janela, viu-a no terreiro. De mansinho por ali mesmo e, armando-se de uma acha de lenha, esmagou-a com fúria.

Mas como dizem que quando se mata uma cobra a companheira aparece alguns dias depois, à procura do matador, tio João nada disse à esposa, nem a ninguém. Ficou esperando a companheira.

Na noite seguinte ela apareceu, que de certo eram sócias no leite de dona Olga, as malvadas! — e sem cerimônia atravessou o terreiro e rumou direitinho pro buraco! E foi logo entrando. Então tio João agarrou-a pelo rabo e — zás! — deu com ela no terreiro como se fosse açoiteira de velho, espatifando-a. Fechou o buraco com todo o cuidado e foi dormir.

E dormiu como um justo.

No outro dia contou tudo.

E o mistério se explicou.

Daí por diante a coisa endireitou de novo. Dona Olga recuperou a saúde e a disposição e o piasote engordou outra vez que era um gosto. Tornou-se o mais lindo e robusto guri da zona. E teve mais quatro irmãos, dois homens e duas mulheres. Lindos todos!

Por isso tomem cuidado! Mulher que amamenta, mesmo nas cidades, deve dormir em quarto bem fechado. Não vá alguma “cobra que mama” entrar e fazer as suas…

Cobra, seu moço, é o diabo. E isto desde que o mundo é mundo…
Uma bruxa em uma garrafa
Você pode ter ouvido falar de um navio em uma garrafa - mas você já ouviu falar de uma bruxa em uma garrafa? Este é o conto de uma bruxa muito problemática.

No Priorado de St. Peter Dunstable, numa manhã de inverno frio, uma mulher chamada Sally foi condenada por feitiçaria pelos monges do Priorado. Ela foi lentamente queimada na estaca. Seu gato e vassoura sofreram o mesmo destino.

Mas Sally não escolheu ir calmamente como algumas fizeram. Morreu gritando e amaldiçoando seu último suspiro. Ela ameaçou uma vingança terrível contra os monges que a condenaram.
Uma bruxa em uma garrafa
Os monges descobriram rapidamente que Sally estava perturbando muito mais depois de morta do que quando vivia. Muitas coisas misteriosas começaram a acontecer. Mãos invisíveis puxavam as orelhas dos monges; as velas do altar da igreja cintilavam e cuspiam com um brilho verde malvado.

Onde os dedos fantasmais de Sally tocavam os livros de oração, as capas queimavam. Os monges não podiam orar em paz nem dormir à noite. Isso estava deixando-os loucos!

Um exorcista foi finalmente chamado para exorcizar o fantasma de Sally, em um serviço religioso especial, mas a bruxa problemática ainda não iria em silêncio.

Quando o exorcista começou o serviço, ele foi atingido na cabeça com uma poderosa força que o jogou no chão. Enquanto o exorcista atordoado se colocava de pé, a congregação congelava de medo enquanto o riso ameaçador da bruxa soava das vigas acima.

Mas o exorcista era astuto e ele finalmente superou a bruxa, chamando a atenção da bruxa para uma garrafa. A atração era uma mistura secreta, conhecida apenas por algumas pessoas, de ervas e poções. Era muito parecido como o feitiço de uma bruxa!

A atração era tão forte, que logo atraiu a atenção da bruxa e, quando o fantasma curioso de Sally foi investigar, o exorcista empurrou-a para dentro da garrafa e tapou com uma rolha!

Ele advertiu que a garrafa nunca deveria ser quebrada ou a bruxa escaparia e executaria uma vingança terrível contra todos.

A garrafa foi enterrada em um lugar secreto nas terras do convento, apenas para garantir que nenhum amigo da bruxa pudesse recuperá-la.

No entanto, como ninguém sabia onde a garrafa foi enterrada, foi dito que não havia mais enterros no cemitério do priorado, para não correr o rico da garrafa enterrada ser acidentalmente quebrada, liberando o fantasma da bruxa perversa de Dunstable.

Até onde sabemos, nenhuma garrafa estranha foi desenterrada perto do local do antigo convento, mas, se você se encontrar na área, lembre-se de anda com muito, muito cuidado.
Chico Rei: A Lenda
Um rei africano foi derrotado em combate e feito prisioneiro. O vencedor destruiu aldeias, plantações e celeiros do vencido. Reuniu a Rainha e os príncipes-meninos, sacudiu-os na estrada, como um rebanho sem nome, vendendo-os a todos como escravos, para o Brasil.

Na travessia do Atlântico, o Rei negro perdeu um filho e viu morrerem seus melhores generais e soldados fiéis, de fome, de frio, de maus-tratos.

Impassível na humilhação, majestoso na derrocada, o soberano, riscado de chicotadas, faminto e doente, pisou as areias do Novo Mundo, como o último dos homens.

Foi, dias e dias, exposto no mercado dos escravos, marcado com tinta branca, comendo uma vez por dia.

Um proprietário de minas de ouro, vindo ao Rio de Janeiro para adquirir reforço vivo para o trabalho esgotante das lavras, escolheu o Rei, como quem simpatiza como um forte animal que o cansaço definhou.
Chico Rei: A Lenda
Palpou-lhe os braços, os ombros, fê-lo abrir a boca, mastigar, tossir e andar, e comprou-o, num lote compreendendo mulheres e homens.

Marcharam a pé para as Minas Gerais, ao sol, à chuva, num tropel inominado e melancólico de condenados sem crime.

O Rei, de calças de algodão, busto nu, abria a marcha, como se dirigisse suas tropas, ao alcance das cubatas, cercado de honrarias.

Ficaram todos em Vila Rica.

O Rei negro fora batizado com o nome de Francisco. Os negros escravos, em voz baixa, juntavam os dois títulos supremos do ex- soba valoroso. Diziam-lhe o nome cristão e o predicamento real.

O escravo era Chico Rei.

Silencioso, tenaz, obstinado, o negro revolvia terra e balançava a bateia com a regularidade de uma máquina sem repouso e sem pausa.

Feitor e amo distinguiam-no pela sua sobriedade, esforço invulgar e natural compostura de modos e de ações.

Derredor de sua figura agrupavam-se os escravos que tinham sido guerreiros valentes, curvados, teimosos, insensíveis ao tempo, multiplicando o trabalho.

Um dia, Chico Rei apareceu ao amo com o preço de sua mulher em pepitas de ouro. O fazendeiro aceitou o prêmio e assinou a carta de alforria da negra, que fora uma rainha.

Mais algum tempo, Chico Rei era livre.

Ele e a mulher, ajudados pela fidelidade de uma Corte que a desgraça não apagara em valor, economizavam, noite e dia, o preço da liberdade dos filhos e dos vassalos.

Ano a ano Chico Rei retirava da massa cativa homens e mulheres, restituindo ao trabalho livre seus velhos companheiros de armas e de caçadas.

Uma a um, reconstruía-se o reino perdido, agora nas terras americanas.

Comprou ele uma lata de terra na Encardideira. A terra era uma mina de ouro.

Chico Rei ficou rico, e o ouro ampliou os limites do seu domínio que era a reunião de homens livres, presos por um liame de veneração e de esperança.

Rei de manto e coroa, aclamado nas festas de Nossa Senhora do Rosário, Chico Rei era realmente um Soberano, com o poder de um direito que fora conquistado com lágrimas, sofrimentos e martírios.

Nenhuma autoridade era superior à sua voz, voz de Rei no mando, sem esquecer os anos igualitários no eito da escravidão.

Negros e negras viviam com conforto e tinham alegrias trovejantes nos bailes populares, nos batuques que se estiravam pelas noites, no círculo sem-fim das danças-ginásticas e coletivas.

No dia 6 de janeiro, da Encardideira, vinha aquele Reino da África, vistoso, empenachado, rutilante de pedrarias, bailando pelas calçadas de Vila Rica, a Outro Preto, aristocrática, povoada de igrejas e de palácios, em louvor da Padroeira dos Escravos.

A Rainha, suas filhas e damas de honor traziam a carapinha empoada de ouro.

Depois da Missa, da Procissão, dos bailados públicos, antes que voltassem ao Reino que se erguia, disciplinado e tranquilo, na Encardideira, Rainha e vassalas banhavam a cabeça na pia de pedra que há no Alto da Cruz.

No fundo da taça, brilhando na água trêmula, ficava todo o ouro que enfeitara os penteados. Novos escravos iam sair do cativeiro, resgatados por aquela dádiva singular.

Por isso ninguém esquece, nas terras livres das Minas Gerais, a fisionomia de Chico Rei, o negro soberano, vencedor do destino, fundador de tronos, pela persistência, serenidade e confiança nos recursos eternos do trabalho.
O Que São Mitos, Lendas e Contos Populares?
A narração de histórias é comum a todas as culturas. A maioria das pessoas gostam de ouvir histórias.

Os contadores de histórias atenderam à necessidade de uma "boa história" desde o início da civilização.

A maioria das pessoas tem sua própria história favorita desde a infância e, muitas vezes, essas histórias são fascinantes e assustadoras. Essas histórias incluem lendas, mitos e contos populares.

O Que São Lendas?

O que são mitos, lendas e contos populares?
Uma lenda é uma história semiverdadeira, que foi transmitida de pessoa para pessoa e tem significado ou simbolismo importante para a cultura em que se origina.

Uma lenda geralmente inclui um elemento da verdade, ou é baseado em fatos históricos, mas com "qualidades míticas".

As lendas geralmente envolvem personagens heroicos ou lugares fantásticos e muitas vezes abrangem as crenças espirituais da cultura em que se originam.

O Que São Mitos?

Um mito é uma história baseada em tradição ou lenda, que tem um profundo significado simbólico.

Um mito "transmite uma verdade" para quem o conta e ouve, em vez de necessariamente registrar um verdadeiro evento. Embora alguns mitos possam ser relatos de eventos reais, eles se transformaram por um significado simbólico ou mudaram-se no tempo ou no lugar.

Os mitos são frequentemente usados ​​para explicar os começos universais e locais e envolvem seres sobrenaturais.

O grande poder do significado dessas histórias, para a cultura em que eles se desenvolveram, é uma das principais razões pelas quais eles sobrevivem - às vezes por milhares de anos.

O Que São Contos Populares?

Um conto popular é uma história popular que foi transmitida em forma falada, de uma geração para a outra. Normalmente, o autor é desconhecido e muitas vezes há muitas versões do conto.

Os contos populares compreendem fábulas, contos de fadas, lendas antigas e até "lendas urbanas".

Mais uma vez, alguns contos podem ter sido baseados em uma verdade parcial que foi perdida ou escondida ao longo do tempo. É difícil classificar contos populares precisamente porque se encaixam em muitas categorias.

Qual a Diferença Entre Lendas, Mitos e Contos Populares?

Os mitos, as lendas e os contos populares são difíceis de classificar e muitas vezes se sobrepõem.

Imagine uma linha (ou continuidade), com um conto histórico baseada em fatos em uma extremidade e mitos ou contos populares culturais no outro; a medida que você progride para o fim da linha mítico / folclórico, o que um evento simboliza para as pessoas, ou o que sentem sobre isso, torna-se de maior significado histórico do que os fatos, que se tornam menos importantes.

No momento em que você alcança a extremidade do espectro, a história tomou uma vida própria e os fatos do evento original, se houver algum, tornaram-se quase irrelevantes. É a mensagem que é importante.
A Lenda de Itararé
Em tempos idos a nação indígena que vivia às margens do Paranapanema resolveu abandonar a região, escapando assim às atrocidades praticadas pelos brancos invasores.

Uma noite, porém, já em viagem, quando despertaram, estavam os índios completamente cercados e só à força de tacape conseguiram abrir caminho por entre os adversários; mas, na fuga, uma das mulheres mais formosas da aldeia – Jaíra - caiu sob o poder do chefe do bando contrário, homem forte e valoroso.

Reuniram-se as nações indígenas convocadas, e durante uma lua inteira se prepararam para a guerra. Efetuaram a festa do preparo do curare, também chamado uirari.

Era a mulher mais velha da aldeia quem tinha a honra de preparar o veneno; vestia-se com penas vermelhas, escutava o canto dos pajés e partia para o mato, de onde voltava carregada de ervas. 

Quando o curare ficava pronto, os vapores da panela subiam; ela os aspirava e caía morta. Assim se fez.
A Lenda de Itararé
Depois de esfriado o curare, começou a dança em torno à panela, ervando todos os guerreiros as suas flechas. Antes de se iniciar a batalha, chegou um velho de muito longe e entrou a aconselhar, secretamente, os   pajés:   na   guerra   contra   os brancos, que usavam armas de fogo, só deviam esperar a morte; eles eram muitos e sabiam defender-se; o que deviam fazer era o seguinte:

- Um dos nossos ocultará, perto do acampamento inimigo, filtros de amor que conhecemos, a fim de o chefe ficar apaixonado por Jaíra, e após deverá apresentar-se aos brancos como desertor da aldeia, para trabalhar com eles. 

Assim terá oportunidade de falar com ela e entregar-lhe drogas preparadas. E um dia, quando todos estiverem adormecidos pelo ariru, servido no banquete, os guerreiros indígenas, em massa, atacarão subitamente os inimigos, de tacape em punho. Não escapará nenhum dos brancos, cujos cadáveres serão lançados aos corvos.

Tal plano foi aceito pelos pajés.

No dia seguinte partiu o guerreiro, levando os filtros de amor, mas os índios em vão esperaram (como estava combinado) pelo canto da saracuara, três vezes em noite de lua nova.

É que o chefe se apaixonara pela linda bugra, e Jaíra também se apaixonara pelo moço, de modo que o guerreiro enviado regressou sem nada haver conseguido.

O tenente Antônio de Sá (assim se chamava o chefe) era casado e residia em Santos, e quando sua esposa soube do amor que o ligava a Jaíra, fez que seu pai a conduzisse ao acampamento dos brancos, onde ela chegou, uma tarde, com muitos pajens e comitiva luzida.

Houve disputa entre os esposos, e, no dia seguinte, Jaíra, muito desgostosa, resolveu partir, dizendo ao tenente que ia esperá-lo à beira do rio Itararé, a fim de fugirem, à noite, pela floresta. E rematou:

- Quando a lua for descendo pelos morros azuis eu cantarei três vezes como a araponga branca, e, se você não comparecer ao lugar da espera, ligarei os pés com um cipó e me atirarei ao rio.

E pôs-se a caminho, deixando, em lágrimas, o moço.  À noite, ouviu-se três vezes o canto da araponga branca, mas o chefe dos brancos não foi procurar Jaíra.

Medonha e súbita tempestade revolucionou, então, aquela região, caindo raios numerosos que vitimaram muitos bois, reduzindo bastante os animais do tenente Antônio de Sá.

Ao amanhecer, o chefe foi a cavalo, acompanhado por um pajem, à pedra indicada por Jaíra, mas só achou ali a roupa da infeliz criatura, com uma coroa de flores de maracujá do mato, em cima. O tenente soltou um grito de desespero, e ficou tão alucinado, que se lançou à corrente e não veio mais a terra.

A senhora branca soube do ocorrido, dirigiu-se a cavalo ao rio, onde só viu a roupa de Jaíra e o lugar em que sucumbira o esposo, e em pranto, a vociferar, amaldiçoou o rio em que cuspiu três vezes. 

Então as águas cavaram o solo e se esconderam no fundo da terra, os peixes ficaram cegos, a mata fanou-se e morreu!...

Contam que quem descia, de noite, à gruta de Itararé veria Jaíra, vestida de branco, com a grinalda de flores de maracujá, tendo ao colo o corpo do moço que morrera por ela. Às vezes, a sua sombra vinha à beira da estrada, matava os viajantes, tirava-lhes o sangue e com ele ia ver se reanimava o seu morto querido.

Dizem, em   época   mais   recente, que   a penitência já se acabou; e um dia, quando menos se esperar, as águas do rio hão de abrir de novo as suas margens e hão de espalhar-se pela terra, para refletir, à noite, o fulgor de todas as estrelas.